domingo, 29 de dezembro de 2013

Feliz Ano Novo?


Tinha que ser no 13? Essa pergunta já me fiz várias vezes e apenas prefiro me encontrar na verdade do acaso. Esse ano que está por findar na terça-feira seguinte não vai deixar saudades, pelo menos não pra Eike Batista, que viu um império promissor ruir em questão de meses. Nós brasileiros temos o que comemorar e o que reclamar. Conseguimos, bem ou mal, dar um pequeno ensejo do que pode ser uma revolta popular em busca de melhorias efetivas para uma sociedade; não creio que busquemos anarquismo/comunismo/capitalismo/conservadorismo e todos os outros "ismos", acredito piamente que temos nos pautado cada vez mais pela concretização de um ideal que tem como carro chefe a justiça social, mas o caminho é tortuoso e repleto de pedregulhos, até o batman tupiniquim tem seus esqueletos no armário, e que esqueletos hein Barbosão? 

A prévia da Copa do Mundo, a Copa das Confederações trouxe consigo uma massa de discursos bonitinhos e hipócritas, de pessoas que quando abrem a boca só nos proporcionam asco, como Ronaldo e Pelé, mas por outro lado trouxeram a luz uma grande problemática, que inclusive já abordei em outra postagem, a confusão que se fez entre futebol e política. Quem ama o esporte continua gostando do mesmo, o problema é exibir uma "GRANDE COPA" tendo um país fudido socialmente. O problema não está na bola, está no ternos e gravatas que redigem leis que almejam impedir um povo de protestar contra aquilo que lhe prejudica, que lhe machuca, que lhe agride vergonhosa e covardemente. 

E por falar em futebol ganhamos da Espanha na final da tal Copa das Confederações, mas o público no estádio não era em momento algum representativo daquilo que é o povo brasileiro. Vimos mais uma vez a vergonha de ter um campeonato decidido fora dos gramados e do Fluminense mais uma vez virar a mesa com uma lei ilegal, contraditória; fruto da má administração dos esportes e da falta de respeito com o público. Ah...teve o Mais Querido, ganhando o tri em cima da coisa e alcançando um título nacional, presenciando a construção do mito CR7 do Arruda, que nem joga mais com a 7, mas fazer o quê? É o mito. 

Como esquecer aquilo que é a marca registrada dos homens na terra, onde não vejo outra definição melhor que a coloquial e sagrada fala do personagem Chicó, interpretado por Selton Mello, em o Auto da Compadecida quando ele diz
 "Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre."
de todos que se foram, famosos e anônimos, amigos, colegas, ídolos, nenhum vai deixar um vazio tão grande quanto aquela que durante muito tempo se dirigiu a mim como "o irmão que não tive", ah Roberta de Paula, tomar aquele sorvete na Fundaj nunca vai ser a mesma coisa, porque você nos apresentou àquele ritual, a risada, as preocupações, a dedicação, as discussões, tudo será lembrado com carinho, a paixão por Saramago... a trágica partida de Sanae, fruto da irresponsabilidade de um governo hipócrita onde as ações pra melhorar o cotidiano só o pioram... E o que dizer dos queridíssíssímos Dominguinhos e REIginaldo Rossi? Que bom que existem CDs, DVDs e afins, mas ainda bem que consegui presenciar sua arte ao vivo. Enfim, ainda me aparece a morte com sua gadanha medonha tentando levar o mestre e mágico das últimas voltas de F1 da minha adolescência nesse antepenúltimo dia do ano... 

Olhe pelo lado positivo, se você está lendo, você ainda não sucumbiu ao 13... Que o 14 seja melhor.

Abraços, H. Mason

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Madiba


Eu sabia que iria escrever sobre o Mandela, não sabia quando, se depois de um dia, um mês ou um ano. O furor que se apresenta em toda a sociedade a favor e contra a figura do líder sul-africano é contagiante, pede uma opinião, pede a sua e a minha também, mas pede acima de tudo que você avalie quem, de fato, lhe representa, que tipo de humano, dos vários que existem ao seu redor, você se identifica e seguiria.

Eis uma figura que você pode avaliar a biografia e, literalmente, se posicionar. Nascido em 18/07/18  Nelson Rolihlahla Mandela, apelidado de Madiba entre os seus, engrossou as fileiras do CNA (Congresso Nacional Africano) a partir de 1942 e lutou contra o Apartheid.

Aí Aí você me pergunta, o que danado foi o Apartheid ? E eu te digo uma política segregacionista implantada pelo governo branco da África do Sul que relegava aos negros áreas de existência (bairros afastados, não contemplados por ações do poder público), serviços inferiores de saúde, educação e demais serviços, essa política governamental – oficial a partir de 1948 – incluía também a negação da cidadania sul-africana e a constituição de uma cidadania ligada a grupos tribais, descaracterizando o direito a escolha direta de representantes no governo chefiado desde então pelo Partido Nacional.

Sabendo disso não é difícil imaginar a cena que se formou né? Uma linhagem de brancos dotados de todos os direitos, e uma massa de pretos onde o único direito era não ter direitos. É claro que a situação era insustentável, é mais do que evidente que fora a forma de racismo mais declarada pós-escravidão, contando com o apoio de outras nações como E.U.A e Reino Unido, vale salientar, Reagan e Thatcher que o digam.

A linha que separa o Madiba defensor dos direitos humanos, da igualdade racial e da liberdade plena daquele que chefiou a Lança da Nação – braço armado do CNA – e é responsável por atentados a bomba é tão tênue que na minha opinião sequer existe. Não existe onde separar a figura de um do outro, porque Nelson Mandela foi um só. Necessitou de utilizar de táticas de guerrilha, de livros de guerra, de bombas caseiras e industrializadas, para libertar toda uma nação de uma dominação ridícula, opressora e covarde.

Agora antes de formar uma opinião efetiva sobre o cidadão em questão, leia mais do que esse pequeno fragmento de pensamento, e depois me diga se fosse você um dos pretos da África do Sul, durante o Apartheid, se você tivesse a chance de segui-lo, você hesitaria? Eu não.

Abraços, H. Mason

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

CR7 – O Atacante mais folclórico do Brasil


Em meio a alegria pelo título do Campeonato Brasileiro da série C deve ser salientado o mito em torno do camisa sete da equipe coral. Não, ele não representa aquilo que de melhor já vimos passar pelos gramados pernambucanos acostumados à qualidade e destreza de muitos jogadores nos três grandes clubes do Estado, mas sim à raça, ao esforço de um atleta que mesmo limitado tecnicamente encorpa um mundo de paixão. 


Nascido Flávio Augusto do Nascimento ele se transformou em Flávio Caça Rato, passou a brilhar com a camisa do Santa Cruz e ganhou a torcida;  cabelos pintados de amarelo e falta de precisão - que muitas vezes quase nos matam - aliados a vontade de vencer na vida contrariando um destino que já parecia traçado nos subúrbios pernambucanos e fazer os milhões que o assistem felizes fazem desse jogador um representante de algo que não se vê todo dia e por isso se torna tão especial.  Os gritos que ecoam no mundão do Arruda de "Ah, É Caça Rato! Ah, É Caça Rato!" não são a toa, o atacante coral não é um artilheiro de um gol só, como muitos que já existiram no nosso Brasil, em 2013 ele foi decisivo nos 3 jogos de maior importância do Santinha, na Final do Pernambucano contra o maior rival Sport abriu o caminho para a vitória por 2 a 0 na Ilha do Retiro, nas Quartas de Final da Série C emplacou o gol do acesso à Série B e nesse domingo fez somente o gol do título no Arrudão. Fruto desse choque entre a caritura do atacante de sorte e raça acrescido da crença do talismã da torcida tricolor hoje o Caça Rato é muito mais comemorado que muitos atacantes renomados que valeram milhões de reais aos cofres dos maiores clubes do país.

Durante sua trajetória já foi chamado de Flávio Caça Rato à Flávio Recife, mas o nome da cidade não pegou e a fama do camisa 7 do Santa Cruz ficou mesmo atrelada ao termo ímpar e popular. Por falar nisso o dono da camisa 7 do Arruda recebe pelo menos mais duas denominações, apelidos que vão de Ratotelli ao próprio CR7 (alusões referentes a Mario Balotelli do Milan-ITA e ao ídolo português Cristiano Ronaldo do Real Madrid-ESP). Mesmo assim apelidos e brincadeiras a parte o mito pernambucano não perde a humildade e o esforço em campo, suas marcas registradas. 
O título conquistado nesse 1º de dezembro de 2013 veio apenas a coroar mais uma campanha sofrida e que há muito fazia incontáveis tricolores cederem aos infartos e demais moléstias da aflição futebolística ao ver seu clube de coração ficar no quase a nível nacional. Parabéns tricolores e, acima de tudo, VALEU Caça Rato, 2013 é seu.

Abraços, H. Mason

sábado, 16 de novembro de 2013

O que eu vi de Dudu no Jô


            Hoje temos a possibilidade de postergar uma ou outra obrigação do nosso cotidiano, principalmente se essa tiver a ver com assistir algum vídeo; a disponibilidade dos recursos áudio visuais em larga escala facilitam pra todos que vivem no corre-corre a chance de ver com calma algo que foi transmitido nas madrugadas sendo, portanto, inviável naquele exato momento. Assim o foi com a entrevista de Eduardo Campos no Programa do Jô, me dispus a vê-la cerca de 5 dias depois, minhas impressões estão logo abaixo.
             Tangencial, assim foi o discurso do nosso governador no Programa do Jô. E era de se esperar uma política de boa camaradagem já que são raros os casos do Jô levantando polêmicas no seu programa, mas, além disso, pode-se ver um Eduardo sorridente e de bem com a vida, como se aqueles 83% se mantivessem ainda hoje, como se fosse a coisa mais sensata estar caminhando de mãos dadas com Jarbas e Marina. O seu ar populista não convenceu.
             Contos de causos e vida pessoal tem uma função no discurso político a meu ver, humanizar, retirar toda e qualquer figura emblemática, seja ela da política ou das artes, e trazê-la para o chão, o mesmo chão que, em tese, todos pisamos. Nesse quesito reside um perigo imenso, associar a imagem de uma figura com atitudes extremamente paradoxais à propensão a coerência. 
          Eduardo fugiu dos temas mais diretos e seu interlocutor não o cobrou por isso, um encontro de compadres e não uma entrevista de um presidenciável foi o que ocorreu. O discurso de que precisamos melhorar a educação, dar 14º/15º salário, e isso resolveria os problemas acerca do tema é um engodo pífio que só os mais despreparados e alienados do jogo político dariam crédito. Entrou em contradição no detalhe dos ministérios (hoje 39), já que possui 27 secretarias e diz que as suas funcionam graças a uma organização de políticas públicas, porém mesmo assim vai diminuí-las, mas Dudu, depois de todos esses anos, vai diminuir agora? Por que se está dando certo? Pra fazer média e não assumir que a quantidade de ministérios/secretarias não reflete a qualidade do governo em questão?


Houve de todas as indagações duas em especial que me chamaram a atenção, a segunda e a última pergunta da platéia foram interessantíssimas. A última acerca de segurança pública, parece que o senhor Eduardo não vê as ações repressoras e intransigentes da sua polícia fascista, e a segunda e, a meu ver, mais gritante politicamente falando sobre se os 33 partidos significavam 33 ideologias, e o que ele responde? Não responde, foge. É claro que não significam tantas ideologias muito mal representam 5.  Enfim, cada vez mais, vejo Dudu e me lembro de Collor, o rostinho bonito e o discurso vazio.

Abraços, H. Mason

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Eu também acredito...


Em casa, de boa, comendo chocolate que a sogrinha presenteou, conversando com minha principa e ouvindo a poesia de Bob...cenário mais paradisíaco só em férias e com dinheiro, eis que surge um post no face originário do Twitter de uma amigona “Eu acredito que Deus é amor” (Silvana Sabino) editora e escritora de um blog muito massa chamado Bombas de Cereja. Ta aí Sil, concordo, e muito, contigo.


Oriundo das profundezas do ser humano surge a divindade, que defenda-se sua origem primordial ante a tudo e todos  é aceitável, mas que se entenda que nós não precisamos de mais um deus que justifica os horrores de uma guerra sem razão contra o outro, pura e simplesmente por esse outro ser diferente, ser o outro.
                Neguemos nossa reverência a qualquer divindade que se justifique pelo ódio, a todos os profetas que preguem o ódio como caminho para uma salvação. E não precisamos de muito conhecimento pra saber disso, seja na forma de jihad, de cruzada, seja na forma de inquisição ou qualquer tipo de perseguição, se existe a pregação do ódio, tem algo de errado. Seja em todas as vestes do machismo e dos seus derivados, seja em todas as formas de racismo e seus descendentes.


Não me interessa hoje, nem nunca me interessou sua perspectiva de além vida, o que me importa é o que você faz com seus direitos de liberdade de expressão NESSA vida para pregar preconceitos e achismos desprovidos da virtude que, em tese, pregas como norte de tua existência.
                Eis que temos, assim, um dos grandes problemas filosóficos de nossa sociedade, a ausência de profundidade (da maioria) daqueles que defendem um Deus, que é raso, por isso são tão facilmente atacados por Richard Dawkins com a ideia da divindade ser apenas um “delírio”. Àqueles que professam são rasos e os debates pífios, não entendendo a profundidade de um conceito que ultrapassa milênios não por ser maniqueísta, mas – muito pelo contrário – por ser universalmente representativo de bondade.

Abraços, H. Mason

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tem futebol no NE ?



Esse poderia ser mais um texto sobre a garantia do acesso do Santa Cruz FC à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, mas não é somente isso, é uma ode a três amigos que me mostraram o valor inexpugnável de torcer por um clube local e junto com isso aderir ao meu cotidiano as rivalidades e polêmicas que cercam essa vivência.

            Se é pra falar de futebol, prefiro começar pela minha vida futebolística, que os mais próximos como Lywistone Galdino, Victor Batista, Jefferson Santos, Renan Jasselli e Henrique Santos sabem que sempre esteve atrelada de forma inquestionável ao São Paulo FC, já que torço para o mesmo desde os longínquos 4 anos de idade. Assim o foi até ir de encontro a tradição da família e torcer pelo Santinha, a maioria imensa da minha família é rubro negra,  enfim torço pelo Santinha e traumatizei com a escapada do título para o Náutico em pleno Arruda com gol de kuki de cabeça, isso foi demais. 

Então na UFRPE estudei com três baluartes do conhecimento futebolístico pernambucano, Victor Batista-Renan Jasselli-Thiago Souza, uma conquista, os caras sabem muito, são fanáticos literalmente no bom sentido e me ensinaram, sem querer, o valor de torcer efetivamente pra um time daqui, de tornar isso não só um ícone do cotidiano como parte de uma relação que ultrapassa o pertencimento e que rege uma resistência contra a discriminação do ser do norte, do ser nordestino, que é, por sua vez, uma paixão arraigada em tradições que não se desfazem com o capital, que não podem ser medidas pelas pesquisas do IBGE e nem contestadas com bases cientificas, mas pode e deveria ser sentida por todos aqueles que se sentem nordestinos. 


 Ontem não apenas o Santinha alcançou o acesso à Segundona como o Botafogo-PB conseguiu o título da série D, vulgo INFERNO por onde passamos há pouco tempo – que por sinal nós vergonhosamente perdemos para o TUPI-MG (quem porra é o Tupi-MG na cesta básica????) – e esses dois resultados, atrelados com o provável acesso do Sport Recife à 1ª divisão do Campeonato Brasileiro e, tudo dando certo, ocorrendo a manutenção de Bahia e Vitória na 1ª divisão, ampliamos nosso leque, que sempre foi favorável a estarmos na 1ª divisão do Brasileiro. Quem sabe ver um Brasileirão em 2015 com as 5 maiores forças do futebol do Nordeste, é uma utopia, mas pra que servem as utopias senão para instigar debates e levantar os questionamentos do possível?

Abraços, H. Mason

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Mais uma de Política...


Falar de política no nosso país é algo interessante, principalmente quando as pessoas não assumem o que pensam, mas revelam, assim, sem querer mesmo, suas ideias e suas intenções publicamente pelos termos utilizados em uma conversa.

Paulatinamente o curso de História me deu uma mínima perspectiva sobre a leitura que podemos fazer de forma independente em relação aos mais variados fatos políticos, assim como me proporcionou a possibilidade de análise do discurso do outro, principalmente o que está implícito nesse discurso. Aquilo que não se tem coragem de revelar por modismo ou simplesmente pela proteção covarde do anonimato.


Sempre assumi meus votos, seja no PT do queridão Lula ou no PSB do covarde Dudu, mas acho curioso a massa acanalhada de pessoas que fazem o possível e o inimaginável para se desligar de suas opções de outrora. Votou por modismo? Mudou de pensamento depois? Analisou errado à época? Não é vergonha criticar aquele que você elegeu, política é muito mais que promessas não cumpridas e ruas asfaltadas.


Agora, bancar de moralista político se valendo de termos como petralha e intentona, AHH!!!... Faça-me um favor, assuma ser reacionário e poupe-nos da sua ignorância que não debate. Seja de direita, e saiba se defender das críticas, seja de esquerda e também o faça, ou não seja nem um nem outro, não me importa, eu mesmo não me considero plenamente de esquerda – garanto que é muito mais complexo do que vestir vermelho ou azul – meus alunos e meus amigos sabem disso, mas não ofenda nossa inteligência tentando se passar por algo que não é, disso já temos bastante a cada dois anos.

Abraços, H. Mason

sábado, 28 de setembro de 2013

Ler, porque não?


Existe algo mais extraordinário do que o apreço por um específico modo de escrever? Provavelmente não. Principalmente se aquele que escreve, o faz não pra você, mas pra corresponder muitas vezes a uma angústia incurável que preenche boa parte do seu ser. Sendo, portanto, o ato da escrita a forma como a liberdade extrapola as possibilidades do palpável, transformando não apenas o papel em branco em um texto, em um verso, mas em uma parte da alma daquele que risca e rabisca, muitas vezes sem pretexto algum, e tantas outras com todos os pretextos possíveis e escabrosos.


Milhares de quilômetros separam minha pessoa dos mestres da escrita que tanto idolatro. Uns, já finados, provam a cada dia sua perpetuação no tempo-espaço de minha vida, permeando cada detalhe de um cotidiano atribulado, porém lembrado por alguém que não tinha a mínima intenção de fazê-lo. Experimentei tal sensação, de forma escandalosa, pela primeira vez ao iniciar a leitura, no 3º ano do Ensino Médio, do livro O Iluminado (The Shinning) de autoria do querido Stephen King, ou apenas Steve, para aqueles que a apreciação de sua obra se tornou tão comum como beber água, que me fez olhar embaixo da cama antes de dormir.


Mergulhar em um mundo estranho, e ao mesmo tempo cognoscível, através de palavras que se metamorfoseiam em imagens, onde essas por sua vez ganham uma vida imensamente real no seu subconsciente, simplesmente porque, no meu caso, o medo do desconhecido é o principal item explorado, e a necessidade de conhecer cada vez mais a gênese dos medos, próprios e de outrem, é a engrenagem que faz a locomotiva da curiosidade funcionar.

Não é a escrita pela escrita, ou a leitura pela leitura que cativa aquele que lê, é o mero detalhe, é a vírgula da argumentação espontânea e mesmo assim colocada milimetricamente, é o sentimento de pertencimento externado no ápice do suspense ou na piada despropositada que te faz gargalhar quando tudo ao seu redor é o mais puro e imaculado silêncio, que doravante jaz no minuto anterior do riso externado, que não mais reconhece a lógica da leitura sem tal regozijo primitivo. 

Abraços, H. Mason

domingo, 22 de setembro de 2013

Falência da fé


A cada dia que se passa mais e mais ouvimos falar (e também falamos) sobre a violência, a corrupção e tantos outros males que afligem nossa sociedade; vemos e ouvimos tanto que chegamos a nos cansar, mas o problema em questão não é o que ouvimos, é o descrédito, que atribuímos a um clichê em específico. 

A ideia de que uma mudança de natureza particular irá refletir posteriormente em toda uma estrutura só cabe quando o particular ganha corpo e, dessa forma, vários indivíduos utilizam de atitudes similares, é a boa e velha ideia do Luther King, onde o problema não é o alarde dos maus, mas sim o silêncio mórbido dos bons.


Vivemos em um tempo onde desacreditamos de tudo de forma fugaz, instantânea e, em oposição, demoramos infinitamente para acreditar em algo ou alguém. É a falência da fé. Não – e bastante longe disso – no sentido religioso, entretanto pra muitos essa seja sempre a chave, é no âmbito de uma ausência tão grande que deixa de se remeter ao outro e é internalizada, digerida (não só digerida, como também constantemente ruminada), fazendo com que o ser venha a comungar da prática que reprova simplesmente por não ver mudança no outro.

Abraços, H. Mason 

sábado, 7 de setembro de 2013

Impressões do Todo


Já tem um bom tempo, na realidade, muito tempo mesmo, desde quando era uma criança que sonhava em ser jogador de futebol, que eu percebia o todo como muito mais do que a soma de todas as partes distintas. Conseguia perceber tal detalhe principalmente em dois momentos distintos e similares ao mesmo tempo da vida, é claro que eu não tinha o vocabulário que tenho hoje e muito menos a percepção da beleza do que afirmo nesse texto, tenho muitos defeitos, mas creio que a hipocrisia e a falsa modéstia não os permeiam.

Tais momentos se referem à música e ao futebol. O primeiro dos dois sempre ficou claro quando assistia filmes e desenhos da Disney onde havia música clássica, principalmente quando rolava a participação de um violino e/ou um piano, as notas, separadas, desconexas são, por muitas vezes dolorosas, principalmente no caso do violino, quando somadas a mãos destreinadas ou debilmente ineficazes em produzir a tal sonhada conexão sonora e melodiosa que tanto agradava aos meus ouvidos como quando, por exemplo, via a participação de Beethoven ou de Wagner em alguma animação, era simplesmente estranho, que do mesmo ponto que surgira tal melodia, surgisse também as aberrações que me doíam os tímpanos. 


No outro momento supracitado era claro, muito claro para mim, pois participava ativamente da vida prática do futebol, e como respondi em uma entrevista há pouco no evento Letra e Voz, realizado no Museu Murillo La Greca, o futebol não tem como ser aprendido sem a prática, não falo de compreensão, falo de sentimento, de saber como é estar em uma decisão onde não apenas importa a sua participação, ela pode ser brilhante, mas se o restante não estiver melodiosamente em harmonia com sua atuação existe uma grande possibilidade de que as coisas não saiam como o planejado, é nesse ponto que entra o “todo”, justamente quando para além da mediocridade das partes isoladas de um time de futebol conseguimos encontrar a harmonia futebolística, a qual denominamos, entrosamento. Esse item é responsável por inúmeros feitos, tão grandes para mim quanto as obras dos meus adorados Bach e Vivaldi.


Como me prestei a escrever sobre isso? Produzindo um artigo sobre globalização. Pois é me lembrei de aulas de psicologia sobre a perspectiva gestaltica e dos constantes debates com meus amigos mais próximos e consequentemente à menção a ideia do todo suplantar as partes isoladas que não acontece somente quando nos remetemos ao pensamento humano, mas também dentro da economia e de outras áreas do saber... O todo da nossa sociedade teima em se parecer cada vez menos com o que desejamos, e isso é ruim.

Abraços, H.Mason 

sábado, 27 de julho de 2013

É tão estranho o ser humano...

Tem noção de seu estado de grandeza, mas contrasta fielmente com a baixeza das vis argumentações. Prostra-se com subserviência aos grandes, mas com plena arrogância para com os pequenos, esta inclusive já fora citada no Auto da Compadecida, no Juízo Final, não nos deixemos enganar que enquanto uma sátira se passa ao cotidiano do mundo religioso ela, ao mesmo tempo, não atinge de forma direta e fulminante os seres mundanos.

                Vai dizer que você não tem exemplos próximos? Vai dizer que o que estou a dizer é um despautério infindo? Não né, claro que não. Acho, a memória as vezes falha, que por vezes já tratei aqui no TudoNaMente de questões voltadas para a essência do ser humano ou algo do tipo. Talvez porque constantemente eu vejo pessoas e mais pessoas defenderem uma natureza humana, defenderem uma ideia construída cotidianamente de que “os bons são maioria”...

                Talvez tenhamos a necessidade de que por meio de um maniqueísmo qualquer, de uma disputa eterna entre bem e mal venhamos a afirmar que os bons triunfarão... Não sem antes se valerem dos métodos dos malvados... Esperamos pelo bem, rogamos por ele, mas o chão dos nossos feitos é a cada dia mais areia movediça e menos terra batida.

Abraços, H. Mason

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Em Defesa da Bola


Parece cada dia mais, que no Brasil o foco é sempre distorcido, é constantemente manipulado. D’uma hora pra outra o esporte favorito da maioria da população tornou-se odiado, não por todos, mas por uma parte considerável, como se do nada o culpado pela corrupção ou, pior ainda, pelo ESQUECIMENTO do povo brasileiro fosse o esporte. Não podemos nem falar em APAGÃO do pensamento público nacional porque para isso seria necessário que houvesse em algum momento uma época em que a população estivesse convencida de seu poder para além do período ditatorial, onde, mesmo assim incontáveis parcelas da população civil apoiaram o militarismo e hoje o desejam de volta.


O esporte não é o motivo da corrupção, os salários astronômicos não são resultado dela também, o que não pode acontecer e acontece, é a valorização moral que estes atletas exercem sobre a população de forma geral, um povo que é subsidiado por plataformas de auxilio e assistência ineficazes, e não estou falando do Bolsa-Família, estou voltando meu discurso para o todo da sociedade brasileira, que tem um sistema cada vez mais caótico (se é que é possível piorar) de serviços que perpassam por saúde, educação, segurança, moradia e transporte.

Claro que temos que nos lembrar que o brasileiro não é bem o povo menos corruptível da Terra...E não adianta me dizer que é senso comum, porque muitos pensam que o brasileiro é um amor, tá, nesse momento copio literalmente Gabriel, O Pensador “ se o brasileiro é cordial Adolf Hitler é um doce”. Romário disse a alguns dias que foi a favor da Copa do Mundo e que nós tínhamos plena condição de realiza-la, ele não mentiu, temos, só que não da forma como o governo e seu BICÕES estão a fazer, assim é foda.


O futebol continuará sendo paixão de quem gosta dele, e muitos do que criticam a realização da Copa são fãs do futebol, a grande questão é que o momento de necessidade que a população passa, há bons 2 séculos de independência praticamente, não nos deixam dúvidas de que agora seria inoportuna tal realização, mas como diz o ditado popular, merdas cagadas não voltam ao Feliciânus...


Abraços, H. Mason

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Despolitizado? Só se for Você!


Dessa vez não farei como outros fatos de grande comoção e vou falar diretamente no calor do momento. Já li um tanto quanto mais do que eu queria sobre opiniões diversas acerca do que está acontecendo e não obstante minhas postagens no facebook parece que minhas perspectivas não estão claras, dito isto nada melhor que o Tudo na Mente para lançar mão do que penso estar acontecendo em nosso País, e mais especificamente em nosso Estado, porque acima de tudo o pernambucano é bairrista.

            Primeiramente, não vejo o que está acontecendo como prerrogativa de uma revolução, não vejo mesmo, não creio que haja de forma qualquer a possibilidade de um levante revolucionário por meio do povo, orquestrado por este ou que beneficie este no presente momento.

Segundo, li alguns textos acerca da possibilidade de um novo Golpe Militar, tá aí, essa posição acho mais plausível, não pela má administração estatal ou pela insatisfação do povo, mas porque o povo brasileiro é extremamente suscetível a tal manifestação, não aprendeu com o período de 1964-85, não puniu os culpados, e isso É SIM um grande PROBLEMA.

Terceiro, o movimento que presenciei nas ruas do dia 20/06 é tudo menos despolitizado, todos que eu conhecia e que estavam lá sabiam o porquê de estarem lá, reclamando, levantando cartazes e similares... Nosso povo precisa aprender a cobrar, achei muito válido.

Quarto, concordo com a lógica de que falta uma pauta, falta sim, mas precisamos ter o cuidado de não incorrermos na ideia de que na ausência de uma pauta não foi válido sair as ruas do Recife, e também do Brasil. Muito mais ainda dizer que porque não houve confronto em grandes proporções com a policia o que se viu foi quase que uma carreata... bem, só lamento pelos governadores de outros Estados não terem se transmutado em Eduardo Campos, ele foi inteligente e plenamente articulado. Lembrem-se determinados atos apenas dão o mote necessário para os eternos reacionários utilizarem dos métodos plenamente conhecidos da Repressão.


Quinto e último ponto, as mudanças são necessárias pra ontem, mas não ocorrerão sequer no imediato amanhã, temos que conscientizar a população de que não é o caos que pretendemos (falo por mim, é claro), e sim uma sociedade mais justa, principalmente onde os direitos de todos sejam respeitados, o fim da corrupção é tão vago quanto a paz mundial, então que tal nos propormos a fazer um trabalho literalmente de formiguinha e realizarmos em nosso dia-a-dia e não somente em uma manifestação pública?

Abraços, H. Mason

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Pode me Chamar de Último Romantico


Queridos leitores, até então não me recordo sobre ter escrito algo acerca de tema tão aclichesado, sim eu acabei de inventar uma palavra, tudo isso para tentar começar a escrever sobre aquele sentimento, que em si você já sabe qual é, que no âmago do seu ser já tens noção de sobre o quê eu vou discorrer, comentar, expor...

Sim, é Ele, o Amor, o sentimento que a todos pertence e a ninguém ao mesmo tempo, porque sem dúvida alguma, o amor só É enquanto é dirigido a outrem, porque amar a si é imprescindível, mas somente a si não basta.
Em qual será o momento de nossa vida que começamos a achar que o entendemos? Acho que nunca há de chegar tal momento, principalmente porque a beleza dele é exatamente o oposto, o não entendimento, a surpresa, o fugaz poder do desconhecido, que nos arrebata de forma indescritivelmente atroz, mas que faz com que nos reergamos a cada dia como se jamais tivéssemos caído...


Um sentimento que não evitou guerras, mas promulgou a paz, que não silenciou ditaduras, mas deu voz a incontáveis corações desolados pela crueza da ataraxia alheia, que foi e é posto em verso e prosa por poetas e compositores, famosos, anônimos, dignos de louvor por dizer em poucas palavras o que não tem explicação. 

Nos versos tristes de Cartola, nas palavras sublimes de Vinicius de Moraes, imortalizado junto ao rei da jovem guarda, nos termos de Camões para nós eternizados por Renato Russo, nos versos ainda por muitos desconhecidos de Wislawa Szymborska, seja em tempos do romantismo inenarrável de outrora ou quando nos dirigimos de forma simples no verdadeiro, sincero, “eu te amo”, o amor está para todo ser humano porque todo ser humano em algum momento de sua existência tem alguém que ama. Ele, o amor, não vê sexo, etnia, religião, Ele é, simplesmente É.


Abraços, H. Mason

segunda-feira, 25 de março de 2013

Muito Além do Ser



Pensei sinceramente em quando voltar a escrever para o tudonamente, já que tempo livre é algo que é plenamente ausente de minha existência. Consegui, entretanto me convencer de que já era hora de voltar a brindá-los com as minhas dúvidas e opiniões sobre os mais variados temas, então que tal voltarmos aos nossos debates?

Peguei a minha pessoa questionando junto com alguns discentes a ideia do ser enquanto algo plenamente independente, exterior mesmo à ideia de religião, totalmente liberto de uma perspectiva post-mortem. Se conseguirmos fazê-lo, o que haveremos de encontrar?

Encontrei, ora, pois, algo extremamente vazio e que realmente seria o fundamento do tripé existencialista – angústia, desespero e desamparo – tão bem representado por um quadro do Edward Munch,  O Grito; de forma que quando nos desprendemos totalmente de qualquer perspectiva de um além ficamos tão somente com o hoje, muito mais próximo da ideia de que o homem é enquanto existe fisicamente, sendo tão somente aqui.  Também é devido a isso que é facilmente compreensível o apego humano às religiosidades e às crenças que mesmo não-religiosas propõem uma ligação posterior à existência terrena, proporcionando um motivo maior de dedicação e busca de bons relacionamentos.


A perspectiva de simplesmente desaparecer, não deixando traços quaisquer, perdendo suas memórias e renegando toda sua história não é agradável aos ouvidos de todos, creio que não falei nenhum despautério histórico-filosófico, na realidade, impróprio seria negar algo que está tão às claras, negar que o ser humano é vazio, e quando muito é preenchido de instinto e amor, natural e socialmente impostos, não necessariamente nessa ordem. Mas isso é tema de outro post. 

Abraços, H. Mason