segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Minúcias



Quando é que nós nos damos o benefício da dúvida? Ou melhor, quando é que a dúvida é um benefício?

Cansei de já debater no meu íntimo essas questões. Infelizmente a resposta nem sempre é positiva, mas o que importa não é a resposta bruta, é o caminho até ela.

Quando nos relacionamos construímos constantemente, a todo instante; na realidade, nos reconstruímos em cada detalhe, em cada íntimo, em cada realização ou fracasso. 

E onde é que traçamos essa linha tênue que separa o sucesso do fracasso? No momento de uma discussão, na dúvida da ação ou no propagar entorpecido de uma rotina nauseante, tanto faz, é nos detalhes. Lá é que conseguimos enxergar, quando queremos, nosso melhor; quando nos dispomos a olhar, a refletir. 

O amadurecimento é fruto desse debate interno. No momento em que as fugas não mais respondem às questões e o que se faz necessário é tão somente a sinceridade. Nos olhos, nos detalhes. Aqueles não mentem, os olhos, refletem a alma, o amor, a importância. Já os detalhes, nunca são somente detalhes, os porquês, estão sempre neles, nos detalhes.

Abraços, H. Mason

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A Vida, Vivemos?


Interessante, após tanto tempo pensando em retomar as postagens com frequência aqui no Tudo na Mente decidi pelo retorno dos posts. Acreditava, e me questionava, se o que eu estava me propondo era uma cruzada eleitoral em defesa daquilo que penso e daquilo que me recuso a apoiar, mas, para minha surpresa, não é sobre isso que hoje escreverei.

Totalmente alheio ao que passava à minha volta, recém chegado em casa e ainda achando muito boa a vitória do Atlético de Madrid sobre o Real Madrid na final da Supercopa da Espanha - provando mais um vez que o conjunto é tão valioso quanto a individualidade no esporte (e porque não na vida?)- me dirigi quase que imediatamente ao computador. Minha mãe, na sala, assistia a um dos telejornais da vida e ficou abismada quando o âncora disse que um carro estava a quase 200 Km/h. Expliquei que haviam esses veículos, inclusive outros muito mais rápidos e que eles geralmente custavam muito caro, alguns mais do que uma mansão.

Gostaria muito de dizer que o raciocínio que se seguiu foi fruto de uma série de conversas que já tínhamos tido, não foi. Do nada Dona Senhora Minha Mãe solta o seguinte pensamento "Oxe, acho errado isso. Gastar tanto em tão pouco, quando tem gente que não tem onde morar ou o que comer. Acho que tinha  que dividir, mas ninguém quer trabalhar pro outro né? O único problema, é que quando morre, fica tudo aí, não se leva nada".

Quem sabe, em algum momento, mais pessoas venham a pensar assim e muitas mais comecem a questionar o que fazem? Seria bom. Essa semana foi muito interessante, conversei com muitas mentes jovens sobre o que é o ideal e o que é o real. Chegamos a algumas conclusões, todas reais. Uma delas é que a ambição do homo sapiens não permite que o ideal se torne real. Tanto no pensamento de minha Mãe, com seu ensino fundamental incompleto, quanto no dos jovens terminando o ensino médio ou cursando o fundamental, podemos perceber o desejo e a frustração entre aquilo que se pretende e o que se concretiza; e assim, mesclando esses sentimentos tão díspares, vivemos. Ou será que apenas vagamos ?

Abraços, H. Mason