quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O que há de errado com as ditaduras?


Nada. Com elas ? Nada mesmo. A resposta é adequada à pergunta inicial. O questionamento deveria ser:
- O que se passa na cabeça de quem defende, apóia e legitima regimes que perseguem, torturam e matam ao seu bel prazer? - Para essa indagação podemos discorrer de forma bem mais extensa sem perder a objetividade de resposta.

Quando nos propomos a debater o tema em questão não é passível de aceitação um parênteses para os engraçadinhos afirmarem "mas essa ditadura foi pra salvar de um golpe comunista" ou "essa ditadura deu poder ao povo" ambas afirmações são falaciosas, seja por ignorância, por oportunismo ou ainda por uma postura ideológica totalmente desprovida de criticidade. 



No Brasil os contornos do regime de exceção estavam preenchidos por termos como comunismo, estatização, e outros medos. Basta uma lida em um livro de História que não esteja pautado por ideologia A ou B para que se enxergue com clareza que as justificações não constituíam fundamento. Mas antes disso, antes de se buscar essa perspectiva mais próxima ao golpe institucional por qual motivo não devemos voltar nosso olhar para as parcelas da população que defendem tais atitudes? As pessoas que adoram sua liberdade, adoram o direito de dizer que valorizam ser livres?

Essas pessoas, boa parte das vezes, defendem avidamente o seu direito de falar qualquer coisa, mas não toleram o debate sadio. Esses seres defendem a sua religião com garras e presas afiadas, mas não aceitam o direito de outrem fazê-lo. Essas mesmas pessoas acreditam piamente que em um país como o nosso o Estado deveria ter o direito de tirar a vida (como se isso já não acontecesse de forma costumeira) e que isso não se refletiria em mais uma forma de opressão contra as classes menos favorecidas e os grupos de menor representatividade no nosso sistema político.

O que há de errado com as ditaduras é que elas representam o que de mais baixo reside no ser humano: a perseguição por opinião, a tortura, o estupro, a dor incomensurável por parte daqueles que foram vítimas de sistemas brutais. A ideia de democracia moderna não tolera isso, seres racionais também não, principalmente porque seres racionais prezam pela igualdade de direitos, sabem que a democracia deve se fazer com isonomia e meritocracia, mas não confundam essa meritocracia com àquela fajuta que não tem fundamento, essa que escrevo é pautada pela igualdade mínima de condições, e o diferencial, aí sim, é o esforço que cada um se propõe a fazer. 

Ser crítico, não é ser intolerante. Criticidade e tolerância não são líquidos imiscíveis, pelo contrário, estão no cerne do debate lógico-racional. Se te falta um dos dois ingredientes só existe um binômio-sanativo: leitura e informação. E sobre todos os assuntos, garanto, essa é a medida profilática mais indicada: Leitura e Informação.

Hoje, diferente de outros dias, deixo dois livros que julgo interessantes para esse debate, um sobre a História do Brasil - História Indiscreta da Ditadura e da Abertura de Ronaldo Costa Couto e um literato que serve para qualquer ditadura mundo afora, de direita, de esquerda ou de centro - O Processo de Franz Kafka.

Abraços, H. Mason

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O amanhã por hoje, melhor, por ontem


Quando olhamos para o ontem o que esperávamos do hoje? Não me refiro aqui ao que você pensava dois ou três anos atrás, não mesmo, quero que você raciocine sobre quando você era uma criança, o que pensava que a sociedade haveria de se tornar? 

O encontro casual com um amigo de infância trouxe a tona tal pensamento...lembramos que jogávamos bola todos os dias em qualquer horário, mas uma coisa era certa, se o carro de Seu Joel (pai do brother) estivesse na rua (branco-limpo-brilhante) o cuidado era quadruplicado, pense num coroa ciumento.

Naquela época desconhecíamos a maldade extrema do mundo, pensávamos que as drogas eram passageiras e nossa maior aventura era explorar um terreno baldio de noite com lanternas ou tomar cerveja escondido nas festas de fim de ano. 

A disputa era pra ganhar o campeonato de futebol de botão ou pra conseguir ir aonde quisesse sem que a mãe lhe desse uma coça por não ter avisado... tempos bons. 

O que vimos foi uma ampliação drástica das mazelas da sociedade: prostituição, drogas lícitas e ilícitas, violência. O crescimento de todos esses fatores sociais me faz pensar o que as crianças de hoje pensam do amanhã... Nós víamos os Jetsons e cogitávamos tal realidade, hoje se cogita por quanto tempo a humanidade vai resistir a ela mesma. 

Abraços, H. Mason

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

De Saramago a Chespirito



O livro mais impactante que já li na minha vida, até hoje, foi, sem dúvida alguma, As Intermitências da Morte de Saramago. Impactante porque me fez pensar na vida e na morte como nunca o tinha feito, mesmo com a morte vagando no cotidiano a todo instante. Nunca tinha parado pra pensar como ela se fazia importante. Mas como algo que na maioria das vezes é trágico, inexplicável e desolador pode ao mesmo tempo ser inevitavelmente piedoso, frente as possibilidades que se criam, em forma de ficção ou não? 

Quando penso em minha infância é impossível não lembrar do programa do Chaves ou do Chapolin. E hoje, frente a notícia desoladora de Roberto Bolaños não tive como não lembrar de Saramago. Bolaños nos idos de seus 85 anos, bem vividos, aclamado em toda a América Latina, principalmente no Brasil, fez sucesso fazendo-nos rir, chorar de rir. Piadas inocentes, um humor limpo que afetou gerações de forma inabalável. 

Inabalável porque mesmo sabendo todas as piadas a serem contadas, tendo assistido aos mesmos episódios dezenas de vezes, conseguia fazer com que ríssemos de forma incontida e desavergonhada, porque não ríamos (rimos!) do mal, do preconceito, gargalhávamos da inocência da piada e das expressões, gargalhamos por nos lembrar de como a infância, essa parte única da nossa aventura existencial, é bela.

Me lembrei de Saramago porque Bolaños não era mais uma criança, porque cumpriu seu papel primorosamente, e por fim, merecia um descanso. Que todos mereceremos. Dói a perca de um gênio que mesmo sem saber produziu verdade absoluta ao dizer a célebre frase "Prefiro morrer do que perder a vida". Pois Bolaños-Chaves-Chapolin-Chespirito ficarás vivo em todos aqueles que riram contigo no ontem, no hoje e hão de rir no amanhã. 

Apenas, Obrigado.



H. Mason

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Minúcias



Quando é que nós nos damos o benefício da dúvida? Ou melhor, quando é que a dúvida é um benefício?

Cansei de já debater no meu íntimo essas questões. Infelizmente a resposta nem sempre é positiva, mas o que importa não é a resposta bruta, é o caminho até ela.

Quando nos relacionamos construímos constantemente, a todo instante; na realidade, nos reconstruímos em cada detalhe, em cada íntimo, em cada realização ou fracasso. 

E onde é que traçamos essa linha tênue que separa o sucesso do fracasso? No momento de uma discussão, na dúvida da ação ou no propagar entorpecido de uma rotina nauseante, tanto faz, é nos detalhes. Lá é que conseguimos enxergar, quando queremos, nosso melhor; quando nos dispomos a olhar, a refletir. 

O amadurecimento é fruto desse debate interno. No momento em que as fugas não mais respondem às questões e o que se faz necessário é tão somente a sinceridade. Nos olhos, nos detalhes. Aqueles não mentem, os olhos, refletem a alma, o amor, a importância. Já os detalhes, nunca são somente detalhes, os porquês, estão sempre neles, nos detalhes.

Abraços, H. Mason

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A Vida, Vivemos?


Interessante, após tanto tempo pensando em retomar as postagens com frequência aqui no Tudo na Mente decidi pelo retorno dos posts. Acreditava, e me questionava, se o que eu estava me propondo era uma cruzada eleitoral em defesa daquilo que penso e daquilo que me recuso a apoiar, mas, para minha surpresa, não é sobre isso que hoje escreverei.

Totalmente alheio ao que passava à minha volta, recém chegado em casa e ainda achando muito boa a vitória do Atlético de Madrid sobre o Real Madrid na final da Supercopa da Espanha - provando mais um vez que o conjunto é tão valioso quanto a individualidade no esporte (e porque não na vida?)- me dirigi quase que imediatamente ao computador. Minha mãe, na sala, assistia a um dos telejornais da vida e ficou abismada quando o âncora disse que um carro estava a quase 200 Km/h. Expliquei que haviam esses veículos, inclusive outros muito mais rápidos e que eles geralmente custavam muito caro, alguns mais do que uma mansão.

Gostaria muito de dizer que o raciocínio que se seguiu foi fruto de uma série de conversas que já tínhamos tido, não foi. Do nada Dona Senhora Minha Mãe solta o seguinte pensamento "Oxe, acho errado isso. Gastar tanto em tão pouco, quando tem gente que não tem onde morar ou o que comer. Acho que tinha  que dividir, mas ninguém quer trabalhar pro outro né? O único problema, é que quando morre, fica tudo aí, não se leva nada".

Quem sabe, em algum momento, mais pessoas venham a pensar assim e muitas mais comecem a questionar o que fazem? Seria bom. Essa semana foi muito interessante, conversei com muitas mentes jovens sobre o que é o ideal e o que é o real. Chegamos a algumas conclusões, todas reais. Uma delas é que a ambição do homo sapiens não permite que o ideal se torne real. Tanto no pensamento de minha Mãe, com seu ensino fundamental incompleto, quanto no dos jovens terminando o ensino médio ou cursando o fundamental, podemos perceber o desejo e a frustração entre aquilo que se pretende e o que se concretiza; e assim, mesclando esses sentimentos tão díspares, vivemos. Ou será que apenas vagamos ?

Abraços, H. Mason

sábado, 29 de março de 2014

Os 65% que aparecem não refletem a realidade, ela é bem pior.



Li, nessa sexta-feira última, a matéria de capa do Diário de Pernambuco onde se afirmava categoricamente, baseado em uma pesquisa do IPEA (onde cerca de 60% dos entrevistados eram mulheres), que 65% dos brasileiros apontam que a culpa da violência contra a mulher, seja ela visualizada em homicídios, atentados violentos ao pudor, espancamentos ou estupros, é da PRÓPRIA vítima.

Fiquei puto da vida, não somente como cidadão, mas também como professor e como homem. A realidade é que o resultado dessa pesquisa apenas nos fornece um indício de como as coisas são... desconfortáveis? Não! O termo não é esse. Essa é apenas uma mostra de como as coisas são HORRÍVEIS. Acredito que a realidade é bem pior do que 65%, a quantidade de vezes que vi, ouvi e li posicionamentos machistas ridículos de justificação sobre estupros é enojante e retrógrada. 

É fruto de uma sociedade que enxerga ainda hoje que a mulher deve ser submissa ao homem, deve andar como se tivesse um cabresto e nem olhar pra os lados, jamais pode emitir opinião sobre assuntos "masculinos" e deve se calar quando os seres norteadores da existência moral e pudica, ou seja, nós, os homens, descrevemos como é a melhor forma de se viver e se comportar. 

Mais interessante é que essa moral tem uma fundamentação cada vez mais fluida, ela transita entre o moralista religioso que usa um discurso forte e crítico sobre todas as outras seitas satânicas, porque o outro não tem direito a religião, tem direito a seita - fadada ao Inferno de Dante, é claro. Aí você se surpreende quando descobre que esse mesmo moralista é o cara que foi no terreiro de candomblé descobrir-se crente em algum orixá. A ideia de moral também transita pelas figuras portadoras do combate aos homossexuais, mas se esquece do encontro secreto que teve com o cara que conheceu na internet. Passa, sobretudo, pelas mesmas figuras que afirmam cotidianamente que existem "negros de alma branca" porque isso é um elogio, apenas na sua infinita ignorância, ou ainda na vaga ideia que lugar de mulher é na cozinha, tão somente lá. 

Acredito que a todo dia devemos lembrar nossos alunos, nossos colegas e amigos, que ser moral não significa ser portador da verdade, mas sim ser portador e propagador de respeito. Não existe roupa  e nem ausência desta que permita estupro. Não é novidade que a sociedade brasileira pensa de forma preconceituosa, sob vários aspectos, mas é um ultraje que pense que não é. Lembrem-se, queridas e queridos, a diferença básica entre machismo e feminismo de que tanto falo em sala de aula: "O machismo mata todas as horas do nosso dia, o feminismo, até hoje não."

Abraços, H. Mason

domingo, 9 de março de 2014

Quem ganha na goleada?



A resposta, para muitos, é óbvia. Aquele que emplacou uma quantidade gigantesca de gols, aquele que fez festa e buscou justificar toda a sua pretensa qualidade sobre o adversário, já destituído da possibilidade do revide, da resistência. É impossível não ver os 7 a 0 do Santa Cruz sobre o Salgueiro e não lembrar que na última quinta-feira o goleador de hoje foi o goleado, os reducionistas hão de propagar, "assim é o futebol", "uma caixinha de surpresas", mas será que nesse caso não há o que ponderar?


Na última quinta-feira, com um ataque inspirado, o Sport bateu o Santa Cruz com um 3 a 0 no primeiro dos 4 jogos que as duas maiores torcidas de Pernambuco presenciarão em menos de 25 dias. É uma goleada por se tratar de um clássico, do Clássico das Multidões (mesmo eu achando que Goleada é com pelo menos 4 gols); mas logo em seguida, o Tricolor do Arruda aplica um retumbante 7 a 0 na 4ª força do futebol pernambucano, o Salgueiro, tens uns anos já que o Carcará é a principal pedra no sapato dos clubes da capital no que tange a jogos no interior, não fazendo feio nem quando joga na capital, tanto que não me lembro de uma goleada sofrida pela equipe sertaneja. 


Então, assim sendo, temos o retorno dos Guerreiros do Arruda? Esse é o futebol que veremos de agora em diante? Creio que há de se enganar aquele que cogita isso, pois tal goleada pode gerar um sentimento terrivelmente perigoso para quem vai encarar logo na próxima semana mais um jogo decisivo pela Copa do Nordeste, e mais uma vez o adversário será o Sport. A goleada foi boa, elástica, tem-se que ter cuidado para que não seja também anestésica, transformando drasticamente a atenção e o respeito em soberba e descuido, se entrar de salto alto, toma outro sacode, pode apostar, e o mesmo funciona dos lados da Ilha do Retiro. 


Historicamente temos inúmeros casos de goleadas que ilustram a situação, mas o mais doloroso é aquele que decidiu a Copa do Mundo de 1950, a goleada sobre a Espanha teve um efeito alucinógeno na seleção brasileira, ampliado pela euforia da imprensa e dos políticos, o resultado foi drástico, mesmo com uma seleção incontestavelmente melhor o título foi para Montevidéu e para os brasileiros sobrou o complexo de vira-latas. Coincidentemente já li algo sobre isso numa crônica do ilustre Nelson Rodrigues, e não se esquece o que se lê de Nelson, e ele diz "qualquer goleada promove duas vítimas".

Abraços, H. Mason

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Fantoches, Cultura e Estado...


Já estou acostumado, ano de eleição significa megashows para o povo de Jaboatão dos Guararapes, ou pelo menos era assim nos idos de Nilton Carneiro, governava como um fantoche e fazia do povo SEU fantoche, hoje tais espetáculos que findavam às cinco da matina, principalmente na Festa da Pitomba, não acontecem mais; outros tempos, outros governantes, mesmo fantoche. E por falar em fantoche soubemos sê-lo direitinho quando esmagamos Jarbas dando mais de 80 % dos votos a Dudu, ou como diz Zé Lezin, "o galeguin dos zói azul"(deixando claro que jamais Jarbas Vasconcelos foi uma opção)... pois é, foi assim que o ídolo da comédia se referiu ao nosso dit.. ops! perdão, governador no seu último espetáculo no Teatro Boa Vista. Boa jogada Dudu, o cara tem um carisma próprio e extremamente - Como é que se diz na FIFA? Ah! - palatável ao povo pernambucano, é, até que se prove o contrário, boa pessoa e trata seus fãs com respeito, pelo menos foi o que eu vi, mas a propaganda foi pesada e não tenho dúvidas em arriscar que ganhou uns bons votos naquele dia, casa cheia né? 

                    

Mas hoje quero tratar de algo que tem acontecido no nosso Estado, primeiro de forma silenciosa, agora de forma descarada e gritante. Sorrateiramente, aos pouquinhos, o governo tratou de controlar os horários das diversões públicas, retirando a virada do ano do marco zero, controlando o horário dos últimos shows das festividades de momo, enfim, promovendo o que pra eles é uma forma de facilitar o seu tão hipervalorizado Pacto pela Vida, menos gente na rua, menos gente pra ser assistida. 


             


Essa semana tivemos o desprazer de presenciar mais dois atos de covardia e despotismo dos responsáveis pela administração pública do nosso Estado. Primeiro foram os ensaios dos Maracatus de Baque Solto ou simplesmente Maracatus Rurais que sofreram com as proibições no que tange ao horário de finalização dos cortejos e ensaios, itens que fazem parte da tradição desse ritual que não é somente festa ou crença religiosa, mas sim um exemplo ímpar da cultura pernambucana mais pura e viva. Ontem, dia 07/02, foi o dia do Som na Rural, projeto de Roger de Renor que levava música de qualidade à Rua da Aurora, no bairro da Boa Vista, ser vítima das ações intransigentes da Prefeitura do Recife e do seu estimado, só que não, secretário João Braga. Uma equipe de 25 policiais militares foi deslocada para fazer a escolta da equipe da CTTU e levar a cabo a ordem... só faltou chamar Roger e os seus de subversivos e dizer que estavam atentando contra a segurança nacional. E, para finalizar, mas não menos triste, é com a notícia de que o tradicionalíssimo bloco carnavalesco centenário Vassourinhas não participará dos festejos do Carnaval 2014, culpa de quem? Ministério Público, Prefeitura de Olinda, Governo do Estado... é... 

Vocês estão fudendo, e não é no bom sentido, com a vida de quem beneficia a cultura de Pernambuco, somente isso, nada demais.

Abraços, H. Mason

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Onde você guarda suas lembranças?



Até onde eu sei, todos vocês que leem o Tudo na Mente, seja sempre que sai algo novo ou totalmente de forma esporádica, já foram crianças. Óbvio? Nem tanto, ser criança tem um "quê" de responsabilidade irresponsável em construir projeções futuras, estimular o dever ser e no decorrer do tempo fazer com que aquilo que projetamos e aquilo que construímos se aproxime cada vez mais. No transcurso de todas as mudanças que passamos chegamos à negação daquilo que curtíamos ou desejávamos, e nesse ponto perdemos uma parte importante da pessoa que fomos e isso é péssimo.



Precisei assistir de forma totalmente despretensiosa ao 11º episódio da 2ª temporada do seriado norte americano The Big Bang Theory para ter o ensejo desse post. No mesmo, um personagem (Sheldon) recebe de presente algo que praticamente todos sonhamos quando crianças, um pedaço, ínfimo, mas ainda assim um pedaço, de seu ídolo. Não vá pensando que o cara ganhou uma parte do corpo, mas nada mais nada menos que um simples guardanapo, usado e assinado, ou melhor, autografado pelo representante da lógica no Star Trek (Jornada nas Estrelas) Leonard Nimoy, ou, como vocês preferem, Dr. Spock. A reação de alegria, surpresa e devoção que é explicitada traz uma série de lembranças, memórias que muitos de nós ainda possuem no seu íntimo, porém que preferimos relegá-las ao esquecimento devido ao que nos tornamos hoje: racionais, libertários, preconceituosos, capitalistas, comunistas, mascarados, existencialistas e afins. 



Foi uma surpresa lembrar que durante minha infância queria as luvas do Mike Tyson, o cara era um monstro no ringue, ou as do Rogério Ceni, tanto faz, ou melhor vestir a armadura de fênix do Ikki... Todos sonhos, uns palpáveis outros revestidos da fantasia que a infância proporciona. E não falo da fantasia construída em cima de valores narcisistas de se achar o máximo em detrimento do outro , falo da fantasia inocente de acreditar que tudo é possível, simplesmente porque o é. 

Por um momento, assistindo a um seriado, conversando num bar, e porque não trabalhando? Permita-se lembrar do que lhe fazia sorrir, é importante.

Abraços, H. Mason