quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Why so serious???



Pokemon Go... pra mim é apenas um aplicativo, mas qual o motivo de gerar tanto incômodo? Será que é somente por ser modinha? Será que é meramente pelo outro encontrar algo que lhe interesse e que não tenha sentido visível? Mais ainda, será porque precisamos estar de posse daquilo que é ou não aceitável de acordo com nosso padrão imbecil de achismos acerca do que é ou não válido para uma pessoa?

Costumeiramente nos deparamos com uma série de novidades tecnológicas e temos que escolher entre ceder ou não a determinadas excentricidades e modernidades; o critério para escolha é, em geral, produzido por duas vias: a primeira atendendo ao interesse do indivíduo em si e a segunda atendendo a resposta que o indivíduo espera encontrar no meio que o cerca.

A liberdade de escolha que pauta a primeira parcela dos critérios que o individuo faz uso deve sempre ser prioritária. Imagine a si mesmo deixando que a sociedade escolha sua roupa, sua religião (se é que você quer uma), sua música, sua opção sexual e também política, que ela escolha seu, pretenso, caráter. Ué, se ela pode escolher qual aplicativo você deve ou não utilizar, se ela se vê no direito de te tachar como retardado, nerd ou donzelo o que impede que ela escolha todo o resto por você? Não há, inclusive, critério lógico para a construção do repúdio.

É o sucesso repentino? Não enxergo assim, vejo mais a inveja pelo prazer alheio. Visto que a utilização de um aplicativo ou jogo não diz nada sobre você – além do fato irrefreável que tal mecanismo te apetece. É mais hipocrisia do que crítica, é mais do mesmo do brasileiro.

Abraços,

 H. Mason (Treinador pokemon dos games: Pokemon Gold/Silver – Fire Red – Ruby/Sapphire) (Não é usuário de Pokemon Go, mas tem maturidade suficiente pra respeitar quem usa.)

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O Golpe dos Sujos



Não existe problema algum em discordar de ideias, desejos, valores e análises. Não existe problema em defender um ponto de vista, uma forma de entender uma sociedade mais justa. Mas, no Brasil, defender uma ideia virou crime, defender um projeto passou a ser sinônimo de hediondez.
O momento político que vivemos é extremamente complexo e se faz mister toda a calma possível na hora de expressar opiniões e crenças, principalmente porque o dom da compreensão não foi ofertado a todos; ainda bem que nunca perdi um amigo ou colega que fosse por divergirmos politicamente, pois amigos enxergam divergências em todos os lugares e não haveria de ser no campo político, repleto este de ideologias, certezas e contradições, que aquelas não se fariam presentes.
Minha função social me impede de ficar à penumbra enquanto meu país se entrincheira entre aqueles que são pró e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Me impede porque sou questionado acerca de minha opinião a todo instante, por colegas de profissão, por amigos e por alunos, cobram um posicionamento principalmente por entenderem, neste momento tão turbulento, que são necessárias muito mais do que matérias tendenciosas, denúncias vagas e grampos estranhos (e sua divulgação política) para construir uma opinião embasada.
Nunca fui filiado a partido algum, pois não considero que eles, da forma como estão organizados, me representem enquanto ideal de sociedade, mas em um discurso que tenta colocar em xeque algo construído sob a égide da democracia seria covardia não assumir que prefiro à legalidade frente a um golpe. Golpe não é um presidente ser deposto, golpe é o judiciário tomar partido! Um/uma presidente sofrer impeachment não pode ser fruto de achismos, tem de haver provas concretas. Impeachment não é golpe, golpe é usar do dispositivo do impeachment pra destituir uma presidente que não cometeu crime. No dia que for comprovado que Dilma Rousseff cometeu um crime contra a nação brasileira teremos um impeachment, caso contrário o que temos é o desejo espúrio daqueles que não entendem o poder da democracia.

Democracia não é concordarmos todos com algo, não é acreditar que devemos ser unânimes, esse papel é da falência da democracia, do autoritarismo; não vamos aceitar calados enquanto tentam da forma mais covarde possível desconstruir um Brasil que tenha como fundamento a manutenção dos direitos dos trabalhadores, a busca pela igualdade de gênero, a ampliação do poder econômico da população e a defesa da constituição. Nenhum destes tópicos fora alcançado plenamente, ainda há um caminho difícil a ser percorrido, ainda temos muito a combater no campo da corrupção, mas não é com corruptos dando um golpe que consertaremos nossa nação. 

Abraços, H. Mason