domingo, 29 de dezembro de 2013

Feliz Ano Novo?


Tinha que ser no 13? Essa pergunta já me fiz várias vezes e apenas prefiro me encontrar na verdade do acaso. Esse ano que está por findar na terça-feira seguinte não vai deixar saudades, pelo menos não pra Eike Batista, que viu um império promissor ruir em questão de meses. Nós brasileiros temos o que comemorar e o que reclamar. Conseguimos, bem ou mal, dar um pequeno ensejo do que pode ser uma revolta popular em busca de melhorias efetivas para uma sociedade; não creio que busquemos anarquismo/comunismo/capitalismo/conservadorismo e todos os outros "ismos", acredito piamente que temos nos pautado cada vez mais pela concretização de um ideal que tem como carro chefe a justiça social, mas o caminho é tortuoso e repleto de pedregulhos, até o batman tupiniquim tem seus esqueletos no armário, e que esqueletos hein Barbosão? 

A prévia da Copa do Mundo, a Copa das Confederações trouxe consigo uma massa de discursos bonitinhos e hipócritas, de pessoas que quando abrem a boca só nos proporcionam asco, como Ronaldo e Pelé, mas por outro lado trouxeram a luz uma grande problemática, que inclusive já abordei em outra postagem, a confusão que se fez entre futebol e política. Quem ama o esporte continua gostando do mesmo, o problema é exibir uma "GRANDE COPA" tendo um país fudido socialmente. O problema não está na bola, está no ternos e gravatas que redigem leis que almejam impedir um povo de protestar contra aquilo que lhe prejudica, que lhe machuca, que lhe agride vergonhosa e covardemente. 

E por falar em futebol ganhamos da Espanha na final da tal Copa das Confederações, mas o público no estádio não era em momento algum representativo daquilo que é o povo brasileiro. Vimos mais uma vez a vergonha de ter um campeonato decidido fora dos gramados e do Fluminense mais uma vez virar a mesa com uma lei ilegal, contraditória; fruto da má administração dos esportes e da falta de respeito com o público. Ah...teve o Mais Querido, ganhando o tri em cima da coisa e alcançando um título nacional, presenciando a construção do mito CR7 do Arruda, que nem joga mais com a 7, mas fazer o quê? É o mito. 

Como esquecer aquilo que é a marca registrada dos homens na terra, onde não vejo outra definição melhor que a coloquial e sagrada fala do personagem Chicó, interpretado por Selton Mello, em o Auto da Compadecida quando ele diz
 "Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre."
de todos que se foram, famosos e anônimos, amigos, colegas, ídolos, nenhum vai deixar um vazio tão grande quanto aquela que durante muito tempo se dirigiu a mim como "o irmão que não tive", ah Roberta de Paula, tomar aquele sorvete na Fundaj nunca vai ser a mesma coisa, porque você nos apresentou àquele ritual, a risada, as preocupações, a dedicação, as discussões, tudo será lembrado com carinho, a paixão por Saramago... a trágica partida de Sanae, fruto da irresponsabilidade de um governo hipócrita onde as ações pra melhorar o cotidiano só o pioram... E o que dizer dos queridíssíssímos Dominguinhos e REIginaldo Rossi? Que bom que existem CDs, DVDs e afins, mas ainda bem que consegui presenciar sua arte ao vivo. Enfim, ainda me aparece a morte com sua gadanha medonha tentando levar o mestre e mágico das últimas voltas de F1 da minha adolescência nesse antepenúltimo dia do ano... 

Olhe pelo lado positivo, se você está lendo, você ainda não sucumbiu ao 13... Que o 14 seja melhor.

Abraços, H. Mason

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Madiba


Eu sabia que iria escrever sobre o Mandela, não sabia quando, se depois de um dia, um mês ou um ano. O furor que se apresenta em toda a sociedade a favor e contra a figura do líder sul-africano é contagiante, pede uma opinião, pede a sua e a minha também, mas pede acima de tudo que você avalie quem, de fato, lhe representa, que tipo de humano, dos vários que existem ao seu redor, você se identifica e seguiria.

Eis uma figura que você pode avaliar a biografia e, literalmente, se posicionar. Nascido em 18/07/18  Nelson Rolihlahla Mandela, apelidado de Madiba entre os seus, engrossou as fileiras do CNA (Congresso Nacional Africano) a partir de 1942 e lutou contra o Apartheid.

Aí Aí você me pergunta, o que danado foi o Apartheid ? E eu te digo uma política segregacionista implantada pelo governo branco da África do Sul que relegava aos negros áreas de existência (bairros afastados, não contemplados por ações do poder público), serviços inferiores de saúde, educação e demais serviços, essa política governamental – oficial a partir de 1948 – incluía também a negação da cidadania sul-africana e a constituição de uma cidadania ligada a grupos tribais, descaracterizando o direito a escolha direta de representantes no governo chefiado desde então pelo Partido Nacional.

Sabendo disso não é difícil imaginar a cena que se formou né? Uma linhagem de brancos dotados de todos os direitos, e uma massa de pretos onde o único direito era não ter direitos. É claro que a situação era insustentável, é mais do que evidente que fora a forma de racismo mais declarada pós-escravidão, contando com o apoio de outras nações como E.U.A e Reino Unido, vale salientar, Reagan e Thatcher que o digam.

A linha que separa o Madiba defensor dos direitos humanos, da igualdade racial e da liberdade plena daquele que chefiou a Lança da Nação – braço armado do CNA – e é responsável por atentados a bomba é tão tênue que na minha opinião sequer existe. Não existe onde separar a figura de um do outro, porque Nelson Mandela foi um só. Necessitou de utilizar de táticas de guerrilha, de livros de guerra, de bombas caseiras e industrializadas, para libertar toda uma nação de uma dominação ridícula, opressora e covarde.

Agora antes de formar uma opinião efetiva sobre o cidadão em questão, leia mais do que esse pequeno fragmento de pensamento, e depois me diga se fosse você um dos pretos da África do Sul, durante o Apartheid, se você tivesse a chance de segui-lo, você hesitaria? Eu não.

Abraços, H. Mason

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

CR7 – O Atacante mais folclórico do Brasil


Em meio a alegria pelo título do Campeonato Brasileiro da série C deve ser salientado o mito em torno do camisa sete da equipe coral. Não, ele não representa aquilo que de melhor já vimos passar pelos gramados pernambucanos acostumados à qualidade e destreza de muitos jogadores nos três grandes clubes do Estado, mas sim à raça, ao esforço de um atleta que mesmo limitado tecnicamente encorpa um mundo de paixão. 


Nascido Flávio Augusto do Nascimento ele se transformou em Flávio Caça Rato, passou a brilhar com a camisa do Santa Cruz e ganhou a torcida;  cabelos pintados de amarelo e falta de precisão - que muitas vezes quase nos matam - aliados a vontade de vencer na vida contrariando um destino que já parecia traçado nos subúrbios pernambucanos e fazer os milhões que o assistem felizes fazem desse jogador um representante de algo que não se vê todo dia e por isso se torna tão especial.  Os gritos que ecoam no mundão do Arruda de "Ah, É Caça Rato! Ah, É Caça Rato!" não são a toa, o atacante coral não é um artilheiro de um gol só, como muitos que já existiram no nosso Brasil, em 2013 ele foi decisivo nos 3 jogos de maior importância do Santinha, na Final do Pernambucano contra o maior rival Sport abriu o caminho para a vitória por 2 a 0 na Ilha do Retiro, nas Quartas de Final da Série C emplacou o gol do acesso à Série B e nesse domingo fez somente o gol do título no Arrudão. Fruto desse choque entre a caritura do atacante de sorte e raça acrescido da crença do talismã da torcida tricolor hoje o Caça Rato é muito mais comemorado que muitos atacantes renomados que valeram milhões de reais aos cofres dos maiores clubes do país.

Durante sua trajetória já foi chamado de Flávio Caça Rato à Flávio Recife, mas o nome da cidade não pegou e a fama do camisa 7 do Santa Cruz ficou mesmo atrelada ao termo ímpar e popular. Por falar nisso o dono da camisa 7 do Arruda recebe pelo menos mais duas denominações, apelidos que vão de Ratotelli ao próprio CR7 (alusões referentes a Mario Balotelli do Milan-ITA e ao ídolo português Cristiano Ronaldo do Real Madrid-ESP). Mesmo assim apelidos e brincadeiras a parte o mito pernambucano não perde a humildade e o esforço em campo, suas marcas registradas. 
O título conquistado nesse 1º de dezembro de 2013 veio apenas a coroar mais uma campanha sofrida e que há muito fazia incontáveis tricolores cederem aos infartos e demais moléstias da aflição futebolística ao ver seu clube de coração ficar no quase a nível nacional. Parabéns tricolores e, acima de tudo, VALEU Caça Rato, 2013 é seu.

Abraços, H. Mason