sábado, 28 de setembro de 2013

Ler, porque não?


Existe algo mais extraordinário do que o apreço por um específico modo de escrever? Provavelmente não. Principalmente se aquele que escreve, o faz não pra você, mas pra corresponder muitas vezes a uma angústia incurável que preenche boa parte do seu ser. Sendo, portanto, o ato da escrita a forma como a liberdade extrapola as possibilidades do palpável, transformando não apenas o papel em branco em um texto, em um verso, mas em uma parte da alma daquele que risca e rabisca, muitas vezes sem pretexto algum, e tantas outras com todos os pretextos possíveis e escabrosos.


Milhares de quilômetros separam minha pessoa dos mestres da escrita que tanto idolatro. Uns, já finados, provam a cada dia sua perpetuação no tempo-espaço de minha vida, permeando cada detalhe de um cotidiano atribulado, porém lembrado por alguém que não tinha a mínima intenção de fazê-lo. Experimentei tal sensação, de forma escandalosa, pela primeira vez ao iniciar a leitura, no 3º ano do Ensino Médio, do livro O Iluminado (The Shinning) de autoria do querido Stephen King, ou apenas Steve, para aqueles que a apreciação de sua obra se tornou tão comum como beber água, que me fez olhar embaixo da cama antes de dormir.


Mergulhar em um mundo estranho, e ao mesmo tempo cognoscível, através de palavras que se metamorfoseiam em imagens, onde essas por sua vez ganham uma vida imensamente real no seu subconsciente, simplesmente porque, no meu caso, o medo do desconhecido é o principal item explorado, e a necessidade de conhecer cada vez mais a gênese dos medos, próprios e de outrem, é a engrenagem que faz a locomotiva da curiosidade funcionar.

Não é a escrita pela escrita, ou a leitura pela leitura que cativa aquele que lê, é o mero detalhe, é a vírgula da argumentação espontânea e mesmo assim colocada milimetricamente, é o sentimento de pertencimento externado no ápice do suspense ou na piada despropositada que te faz gargalhar quando tudo ao seu redor é o mais puro e imaculado silêncio, que doravante jaz no minuto anterior do riso externado, que não mais reconhece a lógica da leitura sem tal regozijo primitivo. 

Abraços, H. Mason

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