O livro mais impactante que já li na minha vida, até hoje, foi, sem dúvida alguma, As Intermitências da Morte de Saramago. Impactante porque me fez pensar na vida e na morte como nunca o tinha feito, mesmo com a morte vagando no cotidiano a todo instante. Nunca tinha parado pra pensar como ela se fazia importante. Mas como algo que na maioria das vezes é trágico, inexplicável e desolador pode ao mesmo tempo ser inevitavelmente piedoso, frente as possibilidades que se criam, em forma de ficção ou não?
Quando penso em minha infância é impossível não lembrar do programa do Chaves ou do Chapolin. E hoje, frente a notícia desoladora de Roberto Bolaños não tive como não lembrar de Saramago. Bolaños nos idos de seus 85 anos, bem vividos, aclamado em toda a América Latina, principalmente no Brasil, fez sucesso fazendo-nos rir, chorar de rir. Piadas inocentes, um humor limpo que afetou gerações de forma inabalável.
Inabalável porque mesmo sabendo todas as piadas a serem contadas, tendo assistido aos mesmos episódios dezenas de vezes, conseguia fazer com que ríssemos de forma incontida e desavergonhada, porque não ríamos (rimos!) do mal, do preconceito, gargalhávamos da inocência da piada e das expressões, gargalhamos por nos lembrar de como a infância, essa parte única da nossa aventura existencial, é bela.
Me lembrei de Saramago porque Bolaños não era mais uma criança, porque cumpriu seu papel primorosamente, e por fim, merecia um descanso. Que todos mereceremos. Dói a perca de um gênio que mesmo sem saber produziu verdade absoluta ao dizer a célebre frase "Prefiro morrer do que perder a vida". Pois Bolaños-Chaves-Chapolin-Chespirito ficarás vivo em todos aqueles que riram contigo no ontem, no hoje e hão de rir no amanhã.
Apenas, Obrigado.
H. Mason

