segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Um pouco mais do peculiar 2015...


Acompanho poucos blogs, mas tenho carinho especial por todos aqueles que o faço, mas não consigo utilizar no meu metodologia similar, prefiro que o que chamo de Vontade da Escrita se manifeste claramente e me proporcione a possibilidade de me expressar da forma mais clara possível. Quando erguemos a voz para defender algo/alguém nos colocamos em meio a uma série de conflitos e interesses múltiplos, e quando nos abstemos de falar no calor do momento também o fazemos, principalmente por sermos acusados de ficar “em cima do muro”.

Esse ano de 2015 vem sendo extremamente peculiar sob meu humilde ponto de vista, estamos vendo escândalos de corrupção em proporções cada vez mais significativas, a comprovação literal dos elefantes brancos da copa de 2014, uma onda migratória em busca de sobrevivência e uma guerra extremamente complicada... em nome de quê mesmo?

Falar de corrupção é muito legal. Te faz parte da modinha do verde-amarelo, principalmente quando você acredita que um partido é único culpado por tudo. Coloca nas suas palavras proferidas nas filas do banco e nas digitadas nos comentários facebookianos todo o ódio que guarda em si sem nem sequer pensar na “maravilha” que sua cidade é, na beleza de segurança proporcionada pelo seu estado, na imbecilidade que é não cuidar daquilo que é mais próximo, e, pior e não menos importante, na hipocrisia de não fiscalizar suas próprias escolhas. Ficou enojadinho/enojadinha com os 7 a 1 da inegavelmente superior seleção da Alemanha, mas cala sobre os milhões pagos mensalmente por (e para) um homem doente do levante*, que é a Arena Pernambuco.



Uma foto calou o mundo, ou pelo menos a parte do mundo que se dá ainda ao direito de se chocar. Uma criança dormindo nos braços de um policial... Não, não estava a dormir, estava morta, com sua existência simples findada de forma trágica e não menos importante que aquela de um político ou de um músico, era uma vida, em seu início e, talvez, por isso mesmo chamou durante uma semana tanta atenção... Uma semana.

Morte de criança, morte de criançaS. No plural, porque é incontável – a quantidade de corpos retirados do Mar Mediterrâneo, é inegável – o descaso, já que pra alguns menos eruditos trata-se da “escória do mundo”, é inexplicável – o desespero, que assola àqueles que veem como única esperança se lançar ao acaso, à angústia da iminência do infortúnio, para, quem sabe, trazer aos filhos (seu bem mais precioso) uma possibilidade que fuja aos planos de uma guerra civil.

É a Vida, é a História. Que também são nossas, por mais longe que estejam.

*O termo homem doente do levante é comumente utilizado no contexto da Primeira Guerra Mundial em referência ao Império Turco Otomano, que já entra derrotado no conflito, esmigalhando-se por dentro.


Abraços, H. Mason