sábado, 16 de novembro de 2013

O que eu vi de Dudu no Jô


            Hoje temos a possibilidade de postergar uma ou outra obrigação do nosso cotidiano, principalmente se essa tiver a ver com assistir algum vídeo; a disponibilidade dos recursos áudio visuais em larga escala facilitam pra todos que vivem no corre-corre a chance de ver com calma algo que foi transmitido nas madrugadas sendo, portanto, inviável naquele exato momento. Assim o foi com a entrevista de Eduardo Campos no Programa do Jô, me dispus a vê-la cerca de 5 dias depois, minhas impressões estão logo abaixo.
             Tangencial, assim foi o discurso do nosso governador no Programa do Jô. E era de se esperar uma política de boa camaradagem já que são raros os casos do Jô levantando polêmicas no seu programa, mas, além disso, pode-se ver um Eduardo sorridente e de bem com a vida, como se aqueles 83% se mantivessem ainda hoje, como se fosse a coisa mais sensata estar caminhando de mãos dadas com Jarbas e Marina. O seu ar populista não convenceu.
             Contos de causos e vida pessoal tem uma função no discurso político a meu ver, humanizar, retirar toda e qualquer figura emblemática, seja ela da política ou das artes, e trazê-la para o chão, o mesmo chão que, em tese, todos pisamos. Nesse quesito reside um perigo imenso, associar a imagem de uma figura com atitudes extremamente paradoxais à propensão a coerência. 
          Eduardo fugiu dos temas mais diretos e seu interlocutor não o cobrou por isso, um encontro de compadres e não uma entrevista de um presidenciável foi o que ocorreu. O discurso de que precisamos melhorar a educação, dar 14º/15º salário, e isso resolveria os problemas acerca do tema é um engodo pífio que só os mais despreparados e alienados do jogo político dariam crédito. Entrou em contradição no detalhe dos ministérios (hoje 39), já que possui 27 secretarias e diz que as suas funcionam graças a uma organização de políticas públicas, porém mesmo assim vai diminuí-las, mas Dudu, depois de todos esses anos, vai diminuir agora? Por que se está dando certo? Pra fazer média e não assumir que a quantidade de ministérios/secretarias não reflete a qualidade do governo em questão?


Houve de todas as indagações duas em especial que me chamaram a atenção, a segunda e a última pergunta da platéia foram interessantíssimas. A última acerca de segurança pública, parece que o senhor Eduardo não vê as ações repressoras e intransigentes da sua polícia fascista, e a segunda e, a meu ver, mais gritante politicamente falando sobre se os 33 partidos significavam 33 ideologias, e o que ele responde? Não responde, foge. É claro que não significam tantas ideologias muito mal representam 5.  Enfim, cada vez mais, vejo Dudu e me lembro de Collor, o rostinho bonito e o discurso vazio.

Abraços, H. Mason

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Eu também acredito...


Em casa, de boa, comendo chocolate que a sogrinha presenteou, conversando com minha principa e ouvindo a poesia de Bob...cenário mais paradisíaco só em férias e com dinheiro, eis que surge um post no face originário do Twitter de uma amigona “Eu acredito que Deus é amor” (Silvana Sabino) editora e escritora de um blog muito massa chamado Bombas de Cereja. Ta aí Sil, concordo, e muito, contigo.


Oriundo das profundezas do ser humano surge a divindade, que defenda-se sua origem primordial ante a tudo e todos  é aceitável, mas que se entenda que nós não precisamos de mais um deus que justifica os horrores de uma guerra sem razão contra o outro, pura e simplesmente por esse outro ser diferente, ser o outro.
                Neguemos nossa reverência a qualquer divindade que se justifique pelo ódio, a todos os profetas que preguem o ódio como caminho para uma salvação. E não precisamos de muito conhecimento pra saber disso, seja na forma de jihad, de cruzada, seja na forma de inquisição ou qualquer tipo de perseguição, se existe a pregação do ódio, tem algo de errado. Seja em todas as vestes do machismo e dos seus derivados, seja em todas as formas de racismo e seus descendentes.


Não me interessa hoje, nem nunca me interessou sua perspectiva de além vida, o que me importa é o que você faz com seus direitos de liberdade de expressão NESSA vida para pregar preconceitos e achismos desprovidos da virtude que, em tese, pregas como norte de tua existência.
                Eis que temos, assim, um dos grandes problemas filosóficos de nossa sociedade, a ausência de profundidade (da maioria) daqueles que defendem um Deus, que é raso, por isso são tão facilmente atacados por Richard Dawkins com a ideia da divindade ser apenas um “delírio”. Àqueles que professam são rasos e os debates pífios, não entendendo a profundidade de um conceito que ultrapassa milênios não por ser maniqueísta, mas – muito pelo contrário – por ser universalmente representativo de bondade.

Abraços, H. Mason

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tem futebol no NE ?



Esse poderia ser mais um texto sobre a garantia do acesso do Santa Cruz FC à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, mas não é somente isso, é uma ode a três amigos que me mostraram o valor inexpugnável de torcer por um clube local e junto com isso aderir ao meu cotidiano as rivalidades e polêmicas que cercam essa vivência.

            Se é pra falar de futebol, prefiro começar pela minha vida futebolística, que os mais próximos como Lywistone Galdino, Victor Batista, Jefferson Santos, Renan Jasselli e Henrique Santos sabem que sempre esteve atrelada de forma inquestionável ao São Paulo FC, já que torço para o mesmo desde os longínquos 4 anos de idade. Assim o foi até ir de encontro a tradição da família e torcer pelo Santinha, a maioria imensa da minha família é rubro negra,  enfim torço pelo Santinha e traumatizei com a escapada do título para o Náutico em pleno Arruda com gol de kuki de cabeça, isso foi demais. 

Então na UFRPE estudei com três baluartes do conhecimento futebolístico pernambucano, Victor Batista-Renan Jasselli-Thiago Souza, uma conquista, os caras sabem muito, são fanáticos literalmente no bom sentido e me ensinaram, sem querer, o valor de torcer efetivamente pra um time daqui, de tornar isso não só um ícone do cotidiano como parte de uma relação que ultrapassa o pertencimento e que rege uma resistência contra a discriminação do ser do norte, do ser nordestino, que é, por sua vez, uma paixão arraigada em tradições que não se desfazem com o capital, que não podem ser medidas pelas pesquisas do IBGE e nem contestadas com bases cientificas, mas pode e deveria ser sentida por todos aqueles que se sentem nordestinos. 


 Ontem não apenas o Santinha alcançou o acesso à Segundona como o Botafogo-PB conseguiu o título da série D, vulgo INFERNO por onde passamos há pouco tempo – que por sinal nós vergonhosamente perdemos para o TUPI-MG (quem porra é o Tupi-MG na cesta básica????) – e esses dois resultados, atrelados com o provável acesso do Sport Recife à 1ª divisão do Campeonato Brasileiro e, tudo dando certo, ocorrendo a manutenção de Bahia e Vitória na 1ª divisão, ampliamos nosso leque, que sempre foi favorável a estarmos na 1ª divisão do Brasileiro. Quem sabe ver um Brasileirão em 2015 com as 5 maiores forças do futebol do Nordeste, é uma utopia, mas pra que servem as utopias senão para instigar debates e levantar os questionamentos do possível?

Abraços, H. Mason