Existe algo mais extraordinário
do que o apreço por um específico modo de escrever? Provavelmente não.
Principalmente se aquele que escreve, o faz não pra você, mas pra corresponder
muitas vezes a uma angústia incurável que preenche boa parte do seu ser. Sendo,
portanto, o ato da escrita a forma como a liberdade extrapola as possibilidades
do palpável, transformando não apenas o papel em branco em um texto, em um
verso, mas em uma parte da alma daquele que risca e rabisca, muitas vezes sem
pretexto algum, e tantas outras com todos os pretextos possíveis e escabrosos.
Milhares de quilômetros separam
minha pessoa dos mestres da escrita que tanto idolatro. Uns, já finados, provam
a cada dia sua perpetuação no tempo-espaço de minha vida, permeando cada
detalhe de um cotidiano atribulado, porém lembrado por alguém que não tinha a
mínima intenção de fazê-lo. Experimentei tal sensação, de forma escandalosa,
pela primeira vez ao iniciar a leitura, no 3º ano do Ensino Médio, do livro O
Iluminado (The Shinning) de autoria do querido Stephen King, ou apenas Steve,
para aqueles que a apreciação de sua obra se tornou tão comum como beber água, que me fez olhar embaixo da cama antes de dormir.
Mergulhar em um mundo estranho, e
ao mesmo tempo cognoscível, através de palavras que se metamorfoseiam em
imagens, onde essas por sua vez ganham uma vida imensamente real no seu
subconsciente, simplesmente porque, no meu caso, o medo do desconhecido é o
principal item explorado, e a necessidade de conhecer cada vez mais a gênese
dos medos, próprios e de outrem, é a engrenagem que faz a locomotiva da
curiosidade funcionar.
Não é a escrita pela escrita, ou
a leitura pela leitura que cativa aquele que lê, é o mero detalhe, é a vírgula
da argumentação espontânea e mesmo assim colocada milimetricamente, é o
sentimento de pertencimento externado no ápice do suspense ou na piada
despropositada que te faz gargalhar quando tudo ao seu redor é o mais puro e
imaculado silêncio, que doravante jaz no minuto anterior do riso externado, que
não mais reconhece a lógica da leitura sem tal regozijo primitivo.
Abraços, H. Mason




