Até onde eu sei, todos vocês que leem o Tudo na Mente, seja sempre que sai algo novo ou totalmente de forma esporádica, já foram crianças. Óbvio? Nem tanto, ser criança tem um "quê" de responsabilidade irresponsável em construir projeções futuras, estimular o dever ser e no decorrer do tempo fazer com que aquilo que projetamos e aquilo que construímos se aproxime cada vez mais. No transcurso de todas as mudanças que passamos chegamos à negação daquilo que curtíamos ou desejávamos, e nesse ponto perdemos uma parte importante da pessoa que fomos e isso é péssimo.
Precisei assistir de forma totalmente despretensiosa ao 11º episódio da 2ª temporada do seriado norte americano The Big Bang Theory para ter o ensejo desse post. No mesmo, um personagem (Sheldon) recebe de presente algo que praticamente todos sonhamos quando crianças, um pedaço, ínfimo, mas ainda assim um pedaço, de seu ídolo. Não vá pensando que o cara ganhou uma parte do corpo, mas nada mais nada menos que um simples guardanapo, usado e assinado, ou melhor, autografado pelo representante da lógica no Star Trek (Jornada nas Estrelas) Leonard Nimoy, ou, como vocês preferem, Dr. Spock. A reação de alegria, surpresa e devoção que é explicitada traz uma série de lembranças, memórias que muitos de nós ainda possuem no seu íntimo, porém que preferimos relegá-las ao esquecimento devido ao que nos tornamos hoje: racionais, libertários, preconceituosos, capitalistas, comunistas, mascarados, existencialistas e afins.
Foi uma surpresa lembrar que durante minha infância queria as luvas do Mike Tyson, o cara era um monstro no ringue, ou as do Rogério Ceni, tanto faz, ou melhor vestir a armadura de fênix do Ikki... Todos sonhos, uns palpáveis outros revestidos da fantasia que a infância proporciona. E não falo da fantasia construída em cima de valores narcisistas de se achar o máximo em detrimento do outro , falo da fantasia inocente de acreditar que tudo é possível, simplesmente porque o é.
Por um momento, assistindo a um seriado, conversando num bar, e porque não trabalhando? Permita-se lembrar do que lhe fazia sorrir, é importante.
Abraços, H. Mason

