sábado, 7 de setembro de 2013

Impressões do Todo


Já tem um bom tempo, na realidade, muito tempo mesmo, desde quando era uma criança que sonhava em ser jogador de futebol, que eu percebia o todo como muito mais do que a soma de todas as partes distintas. Conseguia perceber tal detalhe principalmente em dois momentos distintos e similares ao mesmo tempo da vida, é claro que eu não tinha o vocabulário que tenho hoje e muito menos a percepção da beleza do que afirmo nesse texto, tenho muitos defeitos, mas creio que a hipocrisia e a falsa modéstia não os permeiam.

Tais momentos se referem à música e ao futebol. O primeiro dos dois sempre ficou claro quando assistia filmes e desenhos da Disney onde havia música clássica, principalmente quando rolava a participação de um violino e/ou um piano, as notas, separadas, desconexas são, por muitas vezes dolorosas, principalmente no caso do violino, quando somadas a mãos destreinadas ou debilmente ineficazes em produzir a tal sonhada conexão sonora e melodiosa que tanto agradava aos meus ouvidos como quando, por exemplo, via a participação de Beethoven ou de Wagner em alguma animação, era simplesmente estranho, que do mesmo ponto que surgira tal melodia, surgisse também as aberrações que me doíam os tímpanos. 


No outro momento supracitado era claro, muito claro para mim, pois participava ativamente da vida prática do futebol, e como respondi em uma entrevista há pouco no evento Letra e Voz, realizado no Museu Murillo La Greca, o futebol não tem como ser aprendido sem a prática, não falo de compreensão, falo de sentimento, de saber como é estar em uma decisão onde não apenas importa a sua participação, ela pode ser brilhante, mas se o restante não estiver melodiosamente em harmonia com sua atuação existe uma grande possibilidade de que as coisas não saiam como o planejado, é nesse ponto que entra o “todo”, justamente quando para além da mediocridade das partes isoladas de um time de futebol conseguimos encontrar a harmonia futebolística, a qual denominamos, entrosamento. Esse item é responsável por inúmeros feitos, tão grandes para mim quanto as obras dos meus adorados Bach e Vivaldi.


Como me prestei a escrever sobre isso? Produzindo um artigo sobre globalização. Pois é me lembrei de aulas de psicologia sobre a perspectiva gestaltica e dos constantes debates com meus amigos mais próximos e consequentemente à menção a ideia do todo suplantar as partes isoladas que não acontece somente quando nos remetemos ao pensamento humano, mas também dentro da economia e de outras áreas do saber... O todo da nossa sociedade teima em se parecer cada vez menos com o que desejamos, e isso é ruim.

Abraços, H.Mason 

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