Nada. Com elas ? Nada mesmo. A resposta é adequada à pergunta inicial. O questionamento deveria ser:
- O que se passa na cabeça de quem defende, apóia e legitima regimes que perseguem, torturam e matam ao seu bel prazer? - Para essa indagação podemos discorrer de forma bem mais extensa sem perder a objetividade de resposta.
Quando nos propomos a debater o tema em questão não é passível de aceitação um parênteses para os engraçadinhos afirmarem "mas essa ditadura foi pra salvar de um golpe comunista" ou "essa ditadura deu poder ao povo" ambas afirmações são falaciosas, seja por ignorância, por oportunismo ou ainda por uma postura ideológica totalmente desprovida de criticidade.
No Brasil os contornos do regime de exceção estavam preenchidos por termos como comunismo, estatização, e outros medos. Basta uma lida em um livro de História que não esteja pautado por ideologia A ou B para que se enxergue com clareza que as justificações não constituíam fundamento. Mas antes disso, antes de se buscar essa perspectiva mais próxima ao golpe institucional por qual motivo não devemos voltar nosso olhar para as parcelas da população que defendem tais atitudes? As pessoas que adoram sua liberdade, adoram o direito de dizer que valorizam ser livres?
Essas pessoas, boa parte das vezes, defendem avidamente o seu direito de falar qualquer coisa, mas não toleram o debate sadio. Esses seres defendem a sua religião com garras e presas afiadas, mas não aceitam o direito de outrem fazê-lo. Essas mesmas pessoas acreditam piamente que em um país como o nosso o Estado deveria ter o direito de tirar a vida (como se isso já não acontecesse de forma costumeira) e que isso não se refletiria em mais uma forma de opressão contra as classes menos favorecidas e os grupos de menor representatividade no nosso sistema político.
O que há de errado com as ditaduras é que elas representam o que de mais baixo reside no ser humano: a perseguição por opinião, a tortura, o estupro, a dor incomensurável por parte daqueles que foram vítimas de sistemas brutais. A ideia de democracia moderna não tolera isso, seres racionais também não, principalmente porque seres racionais prezam pela igualdade de direitos, sabem que a democracia deve se fazer com isonomia e meritocracia, mas não confundam essa meritocracia com àquela fajuta que não tem fundamento, essa que escrevo é pautada pela igualdade mínima de condições, e o diferencial, aí sim, é o esforço que cada um se propõe a fazer.
Ser crítico, não é ser intolerante. Criticidade e tolerância não são líquidos imiscíveis, pelo contrário, estão no cerne do debate lógico-racional. Se te falta um dos dois ingredientes só existe um binômio-sanativo: leitura e informação. E sobre todos os assuntos, garanto, essa é a medida profilática mais indicada: Leitura e Informação.
Hoje, diferente de outros dias, deixo dois livros que julgo interessantes para esse debate, um sobre a História do Brasil - História Indiscreta da Ditadura e da Abertura de Ronaldo Costa Couto e um literato que serve para qualquer ditadura mundo afora, de direita, de esquerda ou de centro - O Processo de Franz Kafka.
Abraços, H. Mason

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