A resposta, para muitos, é óbvia. Aquele que emplacou uma quantidade gigantesca de gols, aquele que fez festa e buscou justificar toda a sua pretensa qualidade sobre o adversário, já destituído da possibilidade do revide, da resistência. É impossível não ver os 7 a 0 do Santa Cruz sobre o Salgueiro e não lembrar que na última quinta-feira o goleador de hoje foi o goleado, os reducionistas hão de propagar, "assim é o futebol", "uma caixinha de surpresas", mas será que nesse caso não há o que ponderar?
Na última quinta-feira, com um ataque inspirado, o Sport bateu o Santa Cruz com um 3 a 0 no primeiro dos 4 jogos que as duas maiores torcidas de Pernambuco presenciarão em menos de 25 dias. É uma goleada por se tratar de um clássico, do Clássico das Multidões (mesmo eu achando que Goleada é com pelo menos 4 gols); mas logo em seguida, o Tricolor do Arruda aplica um retumbante 7 a 0 na 4ª força do futebol pernambucano, o Salgueiro, tens uns anos já que o Carcará é a principal pedra no sapato dos clubes da capital no que tange a jogos no interior, não fazendo feio nem quando joga na capital, tanto que não me lembro de uma goleada sofrida pela equipe sertaneja.
Então, assim sendo, temos o retorno dos Guerreiros do Arruda? Esse é o futebol que veremos de agora em diante? Creio que há de se enganar aquele que cogita isso, pois tal goleada pode gerar um sentimento terrivelmente perigoso para quem vai encarar logo na próxima semana mais um jogo decisivo pela Copa do Nordeste, e mais uma vez o adversário será o Sport. A goleada foi boa, elástica, tem-se que ter cuidado para que não seja também anestésica, transformando drasticamente a atenção e o respeito em soberba e descuido, se entrar de salto alto, toma outro sacode, pode apostar, e o mesmo funciona dos lados da Ilha do Retiro.
Historicamente temos inúmeros casos de goleadas que ilustram a situação, mas o mais doloroso é aquele que decidiu a Copa do Mundo de 1950, a goleada sobre a Espanha teve um efeito alucinógeno na seleção brasileira, ampliado pela euforia da imprensa e dos políticos, o resultado foi drástico, mesmo com uma seleção incontestavelmente melhor o título foi para Montevidéu e para os brasileiros sobrou o complexo de vira-latas. Coincidentemente já li algo sobre isso numa crônica do ilustre Nelson Rodrigues, e não se esquece o que se lê de Nelson, e ele diz "qualquer goleada promove duas vítimas".
Abraços, H. Mason




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