segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Mais do Mesmo


Estava (e estou) cansado, vagando pela net quando me deparei com tal manchete “Juíza suspende liberdade condicionalde suspeito de estupro em ônibus”, esse tal preso tinha sido liberto em regime de condicional no final de 2011, e um dia após estar solto cometeu um estupro. Essa matéria por si só já diz tudo a quê eu poderia me deter, inúmeros assuntos brotariam, mas vou direcionar esse post pra algo que pra muitos não tem nada a ver com esse tópico: Democracia. Já ouvi todo tipo de asneira sobre o melhor modelo político a ser seguido, qual tendência financeira deveria prevalecer, qual o maior interesse do Estado, ter ou não mais controle e coisas do tipo, mas ninguém, NINGUÉM, pára um momento pra analisar o que achamos que é a democracia em que acreditamos viver.

Vamos partir do principio de que vivemos em um pais igual  pra todos a partir de nossa Constituição de 1988, e nosso regime político faz com que a casa 4 anos nos direcionemos às urnas e nelas depositemos nossas mais intimas perspectivas sobre a ação daqueles que escolhemos, daqueles aos quais delegamos poderes suficientes para criar leis que venham a reger nossa sociedade, sim pois pra se viver em sociedade existe a necessidade fundamental da LEI, essa coisinha que cotidianamente vemos ser jogada no lixo. Pois é, a lei em nossa pretensa democracia diz que devemos obrigatoriamente votar e, no caso dos homens, prestar serviço militar obrigatório, mas ela também poderia prever enquanto obrigatoriedade a participação no cotidiano político, pois é de extremo interesse do regime democrático que aquele ser, aquele animal político aristotélico que só tem sua razão de existir dentro da Cidade de aspiração do mesmo filósofo, participe de forma ativa desse viés da vida humana. François Châtelet afirma em sua obra História das Ideias Politicas que a democracia exige uma constante atenção de todos os seus cidadãos, baseado em Tucídides que vivera ao século V AC – tempo pra cacete, mas ele está errado? - damos a nossa “democracia” tal atenção? Tenho a plena convicção que não.

Esse caso que postei no início é apenas para ilustrar um desses resultados, nosso código penal é uma piada porque nós somos constituídos em nossa legislação de uma FUDEROSA humanidade, talvez nenhuma no mundo proporcione tantos direitos aos seus cidadãos, e essa humanidade faz com que muitas vezes não enxerguemos, não tenhamos a clareza e a objetividade ao avaliar as implicações judiciais que nossa ausência política tem em nosso cotidiano, e a cada dia isso mina essa pretensa certeza de um dia haver um Brasil sadio. E pra finalizar esse post peço que assistam esse vídeo aí do meu amigo Saramago, e me digam se o nobre está, assim como eu, enganado...



 Abraços. Marcone Alves

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