sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A Ilusão do Conforto


Todos nós, creio que assim falo por todos, freqüentamos shows, festas e coisas afins, em todos os lugares que nos fazemos presentes buscamos pouco na realidade, engana-se quem acha que se busca “um certo alguém” ou até uma complexa idéia de sociabilidade, o que buscamos é o conforto de nos sentirmos parte de algo maior, de uma relação  que ultrapassa os limites da individualidade assim como uma varredura de raios gama passa por uma parede de concreto, é o conforto de nos sentirmos aceitos e iguais, de estarmos nos percebermos enquanto felizes naquele momento fugaz. 


Encontro em praticamente todos os shows privados aquela separação idiota que coloca um “camarote” à beira do palco e deixa aquele “pessoalzinho”, aquele resto que sobra para além do “camarote” extremamente longe da porra do cantor/grupo enfim, nos shows privados, mesmo não curtindo nem um pouco eu entendo plenamente, no nosso mundinho hipervalorizado, um artista ao seu “lado” custa caro. Mas se esse show é PÚBLICO, como pode haver tal separação? Pois é, no Marco Zero ela existe, e não é coisa de antigamente não, porque eu pulei e vibrei em incontáveis shows do Cordel do Fogo Encantado e do Lenine nesse mesmo local e não havia separação entre os VIP’s e  nós, o povão. 
O que importa é que ela existe hoje em dia, e NÃO, eu não concordo de forma alguma, ninguém paga pra estar ali em um show gratuito, sem empurra-empurra, sem muvuca, é simplesmente algo cedido a pessoas ditas importantes em nossa sociedade, diria eu a pessoas favorecidas, por um ou outro motivo, digo isso porque eu fui uma dessas pessoas favorecidas, sei do que estou falando, estou falando de muita gente que está além do apartheid social e que é fã, até em excesso, dos artistas que se apresentam naquele palco e não podem estar um tico mais pertinho do seu ídolo por uma babaquice sem motivo existencial.
 Se você tem, ou teve em algum momento de sua vida vontade de estar lá, dê um jeito e consiga uma pulseirinha e entre, mas não vá buscando o conforto que falei no inicio desse texto, esse conforto está do lado de cá da cerca, onde assisto - a exceção dessa apresentação da Nação Zumbi – todos os shows possíveis, sabe porquê ela está e não ? Porque se canta junto, sorri junto, pulamos juntos, vibramos, gritamos, nos abraçamos sem nos conhecer e parecemos um só no meio de uma multidão, e sendo assim, juntos, somos muito maiores  que todos em separado, porque o Todo é muito, mas muito mais do que a soma de todas as partes... e lá? Você é só você.

Abraços, H. Mason 

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