Acompanho poucos blogs, mas tenho
carinho especial por todos aqueles que o faço, mas não consigo utilizar no meu
metodologia similar, prefiro que o que chamo de Vontade da Escrita se manifeste
claramente e me proporcione a possibilidade de me expressar da forma mais clara
possível. Quando erguemos a voz para defender algo/alguém nos colocamos em meio
a uma série de conflitos e interesses múltiplos, e quando nos abstemos de falar
no calor do momento também o fazemos, principalmente por sermos acusados de
ficar “em cima do muro”.
Esse ano de 2015 vem sendo extremamente
peculiar sob meu humilde ponto de vista, estamos vendo escândalos de corrupção
em proporções cada vez mais significativas, a comprovação literal dos elefantes
brancos da copa de 2014, uma onda migratória em busca de sobrevivência e uma
guerra extremamente complicada... em nome de quê mesmo?
Falar de corrupção é muito legal.
Te faz parte da modinha do verde-amarelo, principalmente quando você acredita
que um partido é único culpado por tudo. Coloca nas suas palavras proferidas
nas filas do banco e nas digitadas nos comentários facebookianos todo o ódio
que guarda em si sem nem sequer pensar na “maravilha” que sua cidade é, na
beleza de segurança proporcionada pelo seu estado, na imbecilidade que é não
cuidar daquilo que é mais próximo, e, pior e não menos importante, na
hipocrisia de não fiscalizar suas próprias escolhas. Ficou
enojadinho/enojadinha com os 7 a 1 da inegavelmente superior seleção da
Alemanha, mas cala sobre os milhões pagos mensalmente por (e para) um homem doente do levante*, que é a Arena
Pernambuco.
Uma foto calou o mundo, ou pelo
menos a parte do mundo que se dá ainda ao direito de se chocar. Uma criança dormindo
nos braços de um policial... Não, não estava a dormir, estava morta, com sua
existência simples findada de forma trágica e não menos importante que aquela
de um político ou de um músico, era uma vida, em seu início e, talvez, por isso
mesmo chamou durante uma semana tanta atenção... Uma semana.
Morte de criança, morte de
criançaS. No plural, porque é incontável – a quantidade de corpos retirados do
Mar Mediterrâneo, é inegável – o descaso, já que pra alguns menos eruditos
trata-se da “escória do mundo”, é inexplicável – o desespero, que assola
àqueles que veem como única esperança se lançar ao acaso, à angústia da
iminência do infortúnio, para, quem sabe, trazer aos filhos (seu bem mais
precioso) uma possibilidade que fuja aos planos de uma guerra civil.
É a Vida, é a História. Que
também são nossas, por mais longe que estejam.
*O termo homem doente do levante é comumente utilizado no contexto da
Primeira Guerra Mundial em referência ao Império Turco Otomano, que já entra
derrotado no conflito, esmigalhando-se por dentro.
Abraços, H. Mason

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