sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Crônica de um caminhar



Hoje, após o bom e velho treino pesado de Morganti Ju Jitsu saí do dojo e segui a pé até a estação do Metrô de Porta Larga, aqui em Jaboatão dos Guararapes. O caminho não é o dos mais bem movimentos para uma noite de sexta-feira e vale a pena ficar atento a todas as situações possíveis, e aquilo que mais me chamou a atenção nesse trajeto foi algo extremamente corriqueiro, comum mesmo, não só a mim como também a tod@s que conheço: um casal de idosos (digo idosos, porque o eram a meu ver, aparentavam ter entre 55-60 anos) puxando uma carroça de recicláveis e parando a cada ponto de coleta de lixo da avenida para ver se encontravam algo que pudesse ser aproveitado em meio àquela confusão de sacos e dejetos.
             
           Nada demais até o presente momento, os carros e ônibus passavam a toda velocidade possível tirando um “fino” cada vez menor tanto do casal quanto de mim, já que é difícil distinguir onde é melhor andar por aqui – se na calçada ou nas beiras da avenida – mas isso também não é novidade pra quem é da área. O que me surpreendeu foi quando ao passar pelo senhor que puxava a carroça, o mesmo tinha acabado de estacioná-la, nos cumprimentamos com um “boa noite” e não, o detalhe que quero chamar a atenção não é o ato de cumprimentar alguém que se desconhece – que nunca se viu mesmo; a expressão, essa foi a surpresa, dizer boa noite todos podem dizer, agora, com aquela expressão? Já não tenho essa convicção.
              
             Foi algo tão belo em sua simplicidade que me fez pensar em todo o trajeto de retorno, sobre o detalhe de tranqüilidade daquela expressão. Talvez o contraponto para minha surpresa esteja no nosso próprio cotidiano, quando temos o caminho cruzado por tantas pessoas arrogantes na sua pequenez, incomodadas nas vidas alheias e  extremamente focadas em burocraticamente complicar a existência tão efêmera que possuímos. Dessa vez não tem uma grande lição (ou tem?!), fica somente aquela expressão marcada, como o ápice de tranquilidade que jamais por mim havia sido encontrada.

Abraços, H. Mason

Nenhum comentário:

Postar um comentário