quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Quando a sua verdade não basta.



Antes do texto, deem uma sacada nessa música:



Que bom ouvir Legião Urbana. Que bom saber que as músicas que embalaram minha adolescência são tão atuais ( e olhe que a banda já era extinta há uns 7 anos). Que triste saber que os problemas elencados por elas se fazem gritantes ainda hoje.

Tem um texto de Nietzsche que fala, mesmo na forma de nietzschiana de lançar suas afirmações, claramente acerca do discurso. O texto está no livro Além do Bem e do Mal e diz basicamente que cada filosofia esconde também uma filosofia; cada opinião é também um esconderijo, cada palavra também uma máscara.

Por quais razões nós, brasileiros, temos tantos problemas com a verdade? Será que é fundamentalmente uma tentativa naturalizada de amenizar o peso de uma informação ou é, também, a ideia de que ser verdadeiro igualou-se a arrogância? Entendo que em muitas de suas afirmações, metafóricas ou não, Nietzsche estava plenamente correto, e nesse trecho de seu livro, especificamente, mais correto do que quase toda a filosofia pensada até então e do porvir.


Elaboramos discursos bem metódicos, desbravadores ou meramente ilustrativos, colocamo-nos à disposição para esclarecer dúvidas e levantamos questionamentos múltiplos, mas nos vemos, por vezes, embaraçados quando nossa fala repleta de termos cultos e herméticos é confrontada com uma pequena pergunta simples. Ué, a pergunta simples deveria ter sua resposta, ou não? Mas o que acontece é um enrolamento sem fim. E por quê? Ah meus caros, a simplicidade de determinadas indagações impõe uma urgência, direta, objetiva e ao mesmo tempo de uma profundidade inigualável: Solicita-se que as cortinas se abram, que o véu seja retirado, que o discurso que se encolhe seja posto à luz, mesmo que tal informação seja chocante, desmedida ou estapafúrdia.

Quem sabe se por vezes não nos valêssemos da vaga noção de verdade, que acompanha a simplicidade dos humildes não nos fosse ofertado um mundo melhor? Esclareço! Não um mundo melhor no sentido de ideal, porque este de nada me serve, a não ser como parâmetro de avanço, mas no sentido de que estaríamos mais habituados a conviver com a crítica construtiva, com o pensamento discordante e, mais importante, a respeitar, entendendo claramente, que o outro tem todo o direito de pensar diferente de você.

Abraços, H. Mason


Nenhum comentário:

Postar um comentário