segunda-feira, 21 de maio de 2012

Anencefalia, e aí?


Acho que todos que me conhecem sabem que evito ao máximo opinar quando as discussões públicas estão no seu ápice, e isso não é só nos temas polêmicos como esse que vamos ruminar aqui hoje, é com tudo, com um filme que foi lançado e foi – ou não – sucesso de critica, com um jogo polêmico, com uma roubalheira política – extremamente comum em nosso país – entre tantas outras coisas. Faço isso porque acho conveniente para eu analisar de uma determinada distancia saudável tais fatos do nosso cotidiano.


Então, antes de tudo, o que vem a ser a Anencefalia? Mesmo o termo anencéfalo significando sem cérebro, o feto portador não é totalmente isento de formação cerebral, isso varia bastante, não podendo ser aplicado as máximas “tudo ou nada”, o que ocorre é que é, na realidade, uma má-formação do tubo neural, caracterizada pela ausência parcial do encéfalo e da calota craniana, ou seja faltam partes do cérebro e, consequentemente, da parte de cima do crânio.

Acompanho o debate acerca dos anencéfalos desde 2007, vi, chocado, naquele ano uma matéria e acompanhei o tramite judicial por meio da internet e de um amigo que fez uma busca incessante em torno do caso de uma moça que pretendia fazer o aborto logo que foi detectado a anencefalia recorrendo para tal  à justiça, mas graças a postura irredutível de um padre-advogado que alegou habeas corpus para o feto, o caso ficou em tramitação até a criança nascer e morrer com menos de 2 horas de nascida.


Digo logo, se tem um discurso que não me comove é o discurso religioso, portanto nem percam tempo tentando justificar por meio de vontade divina ou qualquer outra coisa do gênero, quer argumentar, faça-o de forma que me importe, porque não vejo motivo, razão ou circunstancia que deva obrigar uma mãe a passar por 9 meses de gestação e não ter o direito de gozar da maternidade em sua plena existência, só as mulheres sabem disso, nós só podemos cogitar o que é, nunca saberemos de verdade, porque a elas é dada possibilidade de trazer ao mundo um filho, de carregá-lo em seu ventre.


Tenho amigos que foram plenamente contra a decisão do STF porque de acordo com eles, a decisão abre precedente para outros casos, eu já penso o contrário, a decisão foi extremamente importante porque dá o direito a quem ele deve ser dado, a Mãe, CACETE, é ela que vai carregar a criança, e não por natureza humana e sim porque é ela quem tem de decidir se carregar um filho só pra ter a dor de vê-lo nascer tão somente pra vê-lo morrer em tais circunstancias, a esse nível de impotência. Eu escolhi meu lado, dessa vez não fique em cima do muro.

Abraços, H. Mason 


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