sábado, 17 de março de 2012

Ainda vai se Calar?


Acho que vocês já perceberam que tudo que escrevo por aqui provém geralmente de algo que vi no meu cotidiano, seja na internet ou na televisão ou ainda no meio da rua, então, dessa vez, foi uma matéria de A Liga, programa da TV Bandeirantes que me chamou a atenção. O tal programa versava acerca da agressão dentro dos relacionamentos, tendo como foco principalmente a agressão efetivada pelo lado masculino sobre o feminino, além de explorar, teoricamente, o lado machista da situação. Mesmo com a criação de uma lei específica, aquela mesmo que ficou popularmente conhecida como Lei Maria da Penha, os casos não diminuíram, e a cada dia, se é que é possível, ficam cada vez mais brutais.

Vamos ser sinceros, algum de vocês que está lendo esse texto se choca quando vê uma noticia de uma agressão dessas? Eu não, é COMUM, o que não quer dizer que eu concorde ou que não me revolte, ou ainda que não fique imbuído a interferir, mas chocado não fico não, fico muito puto querendo lascar um cabra safado desses porém a relação que quero estabelecer aqui com o termo “chocar” é o de ser “surpreso” de ser “incomum” – e incomum isso não é mesmo.
Nossa sociedade se acostumou a ter no homem toda uma simbologia paternalista que fez questão de demonstrar ao longo das últimas décadas por a + b que tudo que se faz  entorno desse tema sempre tem apenas duas óticas de análise, a de quem bate e a de quem apanha, e não é assim. Existe uma complexa relação que é proveniente da EDUCAÇÂO que é fornecida (não que quem bate não tem educação, pelo contrário os seres que em tese se dizem intelectuais agridem tanto quanto aqueles que não tiveram acesso às salas de aula), de como as noticias são dispostas dentro dos telejornais, de como você SE VÊ como ser humano, e acima de tudo daquilo de que você é capaz de fazer pra melhorar esse lado de nossa sociedade. Vi um depoimento emocionante de uma mãe com seu filho, e ela estava com medo que ele, quando começasse a namorar e viesse a casar fizesse o mesmo que o pai faz, é desesperador viver em uma sociedade assim, principalmente para quem reside, assim como eu, na periferia sabendo que se você interfere dentro de uma briga de casal está, muitas vezes, assinando uma promissória com a morte.
 Certa vez na faculdade, estava em aula na disciplina de História Contemporânea II com o professor Tiago Melo e entramos nesse debate acerca da Lei Maria da Penha e afins quando ele disse que no Brasil as mulheres que apanhavam dos maridos tinham duas opções “Ou se calam e morrem de apanhar, ou denunciam e correm o risco de serem assassinadas depois”. Houve grande reboliço na sala entre algumas mulheres principalmente, mas na frieza da análise metódica, me digam se na nossa sociedade isso é um engodo? Acho que não, definitivamente não é. Essa prática perpassa os séculos, perpassa culturas, bate de frente com ações promovidas por variados ramos da sociedade e consegue sobreviver, sobrevive porque ainda conquista adeptos, incentivados pelo álcool, por ciúmes, pelos motivos mais banais possíveis, então jovens padawans façam um favor pra nossa sociedade, pra você mesmo e pras mulheres de sua família e do seu circulo de amizades, enfrente esse problema com seus filhos pra que eles amanhã não sejam mais um desses que tanto repudiamos hoje, e vocês mulheres, quando se calam legitimam cada gesto desse, e não adianta vir querer me convencer que não se deve denunciar, enquanto a sociedade não tomar definitivamente partido nessa causa, nada, NADA mesmo vai mudar. Até hoje a sociedade não tomou partido, Você já?

Abraços, H. Mason

2 comentários:

  1. Tá aí... pra mim o problema maior é a omissão, é se calar. Denunciando = mais punição, teoricamente. Ficando calada = apanhará mais, exemplos não existirão e tome lapada comendo no centro. Além do que não haverá uma educação de berço de respeito ao sexo feminino se não houver culpados e punidos por essas barbáries

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  2. Muito bom. Concordo, principalmente com a educação das crianças. Na semana das mulheres vi uma entrevista com Maria da Penha e me chamou atenção uma frase: "Nós não gostamos de apanhar! Apenas acreditamos nas palavras e lágrimas de um homem, que na maioria das vezes é o pai dos nossos filhos". Parei, pensei... mudei o discurso. Realmente quem gosta de apanhar e ser humilhado? Acho que ninguém. É difícil este assunto, envolve coisas demais. Mas a lei está mudando e acho que agora não depende só das vítimas e até o ministério públicos vai poder dar continuidade ao processo. O Estado tem que punir e também tratar esses homens.

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